Delfim culpa governo por risco Brasil
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segunda-feira, 20 de maio de 2002
Rodney Vergili Agência Estado 
São Paulo - O deputado federal e ex-ministro da Fazenda no governo dos militares Costa e Silva/Garrastazu Médici, Delfim Netto (PPB-SP), disse ontem, no seminário Otimismo Econômico x Turbulências Eleitorais, em São Paulo, que a piora na classificação de risco Brasil reflete os fundamentos da economia brasileira e não o efeito Lula.
Delfim Netto observou que o País, como um caramujo, tem três casas: a espantosa dívida interna, mesmo tendo vendido todo o patrimônio; o passivo externo líquido elevado, de US$ 400 bilhões; e o cansaço por carregar, por tanto tempo, um estoque de desemprego, corrupção em privatizações e falta de segurança.
Ele observou que as classificações de risco nos últimos 30 dias pioraram para os mercados emergentes, afetando todo o mundo. De acordo com o parlamentar, não há razão para supor que a barba de Lula tenha produzido medo em todo o mundo.
Além disso, brincou: Lula está bem arrumadinho, veste Armani, e seria difícil diferenciá-lo, se ele entrar numa reunião na Câmara, dos Lordes.
O deputado federal do PPB de São Paulo afirmou que não há razão para a demonização de Lula, pois as instituições democráticas do Judiciário e do Legislativo continuarão funcionando. Delfim Netto chamou a atenção para o fato de que a negociação com o Congresso é imprescindível para continuar no poder, como foi demonstrado no governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello.
De acordo com o deputado, em vez de demonizar Lula, seria importante analisar, pelos menos, cinco programas do PT para verificar a consistência do plano econômico do partido para o País.


