Delegados são os primeiros a ser ouvidos
Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico vai ouvir na próxima semana, em Campinas, os delegados Antônio Francisco Bastos, Ricardo de Lima, José Roberto Rocha Soares e João Antônio Pinto, suspeitos de envolvimento com o crime organizado na cidade. Bastos era chefe do setor de perícia do Instituto Médico Legal (IML) de Campinas (SP), de onde sumiram, este ano, 340 quilos de cocaína. A droga estava sendo guardada para perícia e pertencia ao traficante Bruno Henrique Goes, que fugiu esta semana da prisão.
A CPI também definiu a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico de 30 empresas e pessoas em Campinas. Segundo o deputado Robson Tuma (PFL-SP), todos os envolvidos são suspeitos de integrarem o esquema de lavagem de dinheiro. A CPI deverá ouvir, na próxima semana, seis empresários que seriam ligados a Wilson Sozza, o principal suspeito de liderar o esquema.
Tuma informou que o esquema em Campinas foi montado em 1985 e chegou a ser usado por Paulo César Farias, ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Todos os grupos estaduais que estão sendo investigados pela CPI também teriam se utilizado do esquema de várias formas para lavar dinheiro ilícito.
O deputado informou que foram encontradas 18 carteiras de identidade de diversas pessoas na casa de Sozza, das quais quatro já estavam mortas. Todas terão seus sigilos quebrados. A CPI também conseguiu a quebra do sigilo bancário de uma imobiliária que administrava o escritório do Comércio Atacadista Bacana, do empresário, de uma mulher que estaria envolvida no esquema, de seu irmão Marco Aurélio Sozza e da cunhada, Ionna Maria Andrade da Silva.
Tuma disse que CPI também está investigando um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo diversas empresas de ônibus em vários Estados e cidades, incluindo São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Ele admitiu que a comissão pode pedir a quebra de sigilo dessas empresas. Todos os indícios já estão comprovados.
Antes mesmo da comissão chegar a Campinas, alguns deputados já estão denunciando ameaças de morte. Pompeo de Mattos (PDT-RS), que acompanhará Tuma, informou que uma pessoa ligou de São Paulo e disse que as investigações em Campinas não teriam a mesma facilidade que em outros Estados. A pessoa me disse que lá, o buraco é mais embaixo, contou Mattos, que está sendo escoltado por segurança da Polícia Federal.





