Delegados são acusados de sequestro de crianças Carmem Murara De Curitiba O desenrolar das investigações na CPI do Narcotráfico trouxe ontem indícios de que os mesmos delegados acusados de comandar o tráfico de drogas no Estado podem estar envolvidos com o desaparecimento de crianças. A acusação partiu de um dos depoentes, o ex-policial Humberto Terêncio, que pediu para ser ouvido reservadamente sobre o assunto, e ontem ganhou força com as declarações dos pais do garoto Everton, que sumiu há 12 anos, e do major Neves, que entregou um dossiê para a comissão parlamentar. O pai de Everton, José Vicente Gonçalves, disse que, ao longo de todos esses anos, ele ouviu informações de que delegados de polícia sequestravam crianças. Ele revelou que, por uma estranha coincidência, os delegados que cuidaram do caso de seu filho foram Ricardo Noronha, Newton Tadeu Rocha e Kyoshi Hattanda, os mesmos acusados de tráfico de drogas na CPI. Gonçalves contou que, em certa ocasião, um policial do Grupo Águia investigou e descobriu que delegados estavam envolvidos no crime. ‘‘Ele tinha prova de tudo isso, mas os relatórios foram engavetados pelo comando da polícia’’, afirmou. Segundo ele, o policial foi afastado da corporação. Muito abalado com o fato de o assunto ter voltado à tona dessa maneira, Gonçalves relembrou um episódio que estranhou muito. ‘‘Dias após o sumiço de meu filho, fui procurado pelo delegado Newton Rocha. Ele disse que conhecia uma vidente que indicaria onde estava Everton, mas para isso precisaria de objetos pessoais que meu filho gostasse muito. Demos um ursinho de pelúcia e um pijama. Ele nunca mais nos devolveu’’, contou. Gonçalves imagina que, para consolar a criança, o delegado pediu o brinquedo de estimação. O pai de Everton disse ainda que o elo de todo o mistério pode estar ligado ao narcotráfico. Segundo Gonçalves, ele recebeu muitas informações de que Rosi, mulher do empresário Hissan Hussei Deheine, era da quadrilha de Arlete Hilú, presa por tráfico de crianças. Hussei está preso desde quarta-feira, sob acusação de ser um dos líderes do tráfico de drogas. Além de Gonçalves, a mãe de Rafael Zanela, Elizabeta Zanela, acompanhou ontem parte dos depoimentos. Ela teve o filho morto a tiros por policiais civis, há dois anos e meio. Até agora, apenas dois policiais foram presos. Nada aconteceu ao superintendente e ao delegado. ‘‘A CPI é uma oportunidade para moralizar a polícia do Paranᒒ, declarou.