CASCAVEL Delegados desmentem envolvimento Arquivo FolhaJúlio Reis: ‘‘Mentiras atrapalham investigações’’ Gerson da Luz Souza De Cascavel Especial para a Folha Os delegados Júlio Reis, titular da Delegacia Antitóxicos de Cascavel, e Carlos Reis, chefe da Subdivisão Policial de Toledo (40 km a oeste de Cascavel), divulgaram nota oficial na qual desmentem qualquer tipo de envolvimento com o narcotráfico. Ambos foram citados à CPI das Drogas no início do mês, em Curitiba, no depoimento da traficante Shirlei Aparecida Pontes. Ela disse que os delegados ‘‘sumiram’’ com 150 quilos de cocaína que teriam sido apreendidos na cidade de Engenheiro Beltrão, em junho de 98. A nota foi repassada aos órgãos de comunicação na semana passada. Na nota, Júlio e Carlos afirmam que o depoimento prestado pela traficante ‘‘é irresponsável, leviano e mentiroso’’. Eles relatam que baseados em informação falsa prestada pela própria Shirlei, sobre um possível descarregamento de droga em uma fazenda naquele município, ambos coordenaram uma operação na tentativa de efetuar o flagrante. ‘‘Ficamos o dia todo aguardando um avião que segundo ela traria a droga, mas isso não aconteceu. Ela mentiu, para atrapalhar investigações, na tentativa de impedir a prisão de outros integrantes da quadrilha’’, disse Júlio Reis à Folha. Segundo ele a operação foi oficial, contando inclusive com dez policiais e viaturas caracterizadas. Na época, os dois delegados integravam o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e foram os responsáveis pela prisão de Shirlei – condenada por tráfico e formação de quadrilha em Rondônia (MS) mas que estava foragida e atuando no crime organizado no Paraná – e do irmão dela, Lupércio Pontes, preso em Goioxim (MS). Também foi preso Edmilson Felisberto, outro integrante da quadrilha, na cidade de Campo Mourão. A nota oficial contém um histórico sobre as investigações que resultaram no desbaratamento da quadrilha, responsável por vários assaltos, inclusive a uma agência do Banestado, em Curitiba, em maio de 98 – que resultou na morte de um oficial militar e de uma mulher. De acordo com a nota, alguns integrantes da quadrilha estão presos, entre eles o próprio Lupércio, resgatado do presídio do Ahu, em Curitiba, no mês passado. Júlio e Carlos Reis estão na Polícia Civil há mais de sete anos e têm seu trabalho reconhecido na região Oeste. ‘‘De onde buscaremos forças para trabalhar nas madrugadas para prender um traficante que depois, irresponsavelmente ou por vingança, venha inventar algo contra nós’’?, questionam os delegados. Eles dizem na nota que são favoráveis à investigação da CPI, do Ministério Público ou mesmo da Polícia, mas afirmam que ‘‘há que se ter responsabilidade para não provocar danos irreparáveis à imagem de pessoas inocentes’’.

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