Delegados defendem Noronha
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quarta-feira, 31 de maio de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Delegados de 15 estados do País promoveram ontem à noite em Curitiba um ato de desagravo a policiais civis paranaenses citados como integrantes do crime organizado. Realizado na sede da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), o evento foi uma resposta às acusações feitas por deputados federais da CPI do Narcotráfico.
Houve uma grande precipitação da CPI, alegou o presidente da Adepol do Brasil, Jair Cesário da Silva. Para ele, o ex-delegado geral da Polícia Civil João Ricardo Képps Noronha é inocente. Justiça será feita. Nada se tributa ao doutor Noronha possível de ser provado. Em entrevista coletiva, Noronha apontou um possível erro cometido pela comissão. No início fui acusado de tráfico de drogas, mas no final só pediram o meu indiciamento por desacato à CPI. Será que os deputados não leram o Código Penal para ver que servidor público não pode ser punido por desacato?
Noronha disse que quer priorizar a partir de agora o trabalho sindical. Não tenho mais o interesse de chefiar órgãos especiais. Isso pouco ou quase nada valeu quando veio esta crise que atingiu não só acusado, mas minha família e amnigos. O ex-delegado criticou a atuação do deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT) na CPI, do promotor Paulo Kesler e do major Waldir Neves, da Polícia Militar.
O ex-delegado geral afirmou que Padre Roque tinha apenas interesse eleitoral ao levar uma subcomissão da CPI para Ponta Grossa. Sobre Neves e Kesler, disse que os dois têm uma rixa antiga contra ele. Noronha disse ter ouvido que alguns presos afirmaram ter sido torturados pelo major, com o envolvimento do promotor. Declarou que não foi prestar depoimento aos deputados porque sabia que iria preso. Eles queriam nos execrar em troca de benefícios políticos.
Ontem, a Secretaria de Segurança Pública anunciou a formação de uma comissão para atuar no combate a desmanches de veículos. A comissão contará com a participação das polícias Civil e Militar, Receita Estadual, Prefeitura de Curitiba, Detran, seguradoras e revendedoras de autopeças. As empresas que trabalham com o setor de peças serão recadastradas e os desmanches só poderão atuar em caso de perda total do veículo.


