Curitiba - O Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Paraná (SinDPF/PR) solicitou nesta quarta-feira (11) a transferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do prédio da PF em Curitiba para uma unidade das Forças Armadas. No ofício enviado ao superintendente da corporação no Estado, Maurício Leite Valeixo, a entidade pede que o petista seja levado a outro local "que possa oferecer condições de segurança e que não traga os transtornos e riscos à população e aos funcionários" do órgão.

Nos arredores do edifício, localizado no bairro Santa Cândida, há bloqueios montados para evitar manifestações contra ou a favor do ex-presidente. Apenas funcionários, jornalistas e outras pessoas que tenham algum atendimento agendado são autorizados a passar. Em frente ao cordão de isolamento, partidários do petista, membros de movimentos sociais e de sindicatos montaram um acampamento, apelidado de "Lula Livre", onde acontece uma série de atividades políticas e culturais. O local tem recebido visitas de artistas, governadores, parlamentares e outras lideranças da esquerda de todo o País.

Conforme o sindicato, o problema é que são realizados na Superintendência, além da rotina policial, atendimentos ao público, dentre eles, emissão de passaportes e questões relacionadas a produtos químicos, segurança privada, armas e emissão de certidões de antecedentes criminais da PF. Desde que a Justiça Federal determinou a condução de Lula à sede, contudo, os bloqueios em razão da ocupação estariam causado "graves inconvenientes e atrasos".

"Os moradores da região estão sofrendo os impactos da permanência do condenado. E nossos servidores, que deveriam estar fazendo trabalho de investigação, são obrigados a fazer a segurança do prédio, o que para nós representa um grande prejuízo", argumentou o presidente do SinDPF, Algacir Mikalovski. O sindicato diz ainda que há "comprovados riscos à população que reside no entorno do prédio da PF", por conta da instalação de barracas e "determinada estrutura". Para o SinDPF, a sede não é, "sob nenhum aspecto, local apropriado para o cumprimento de sentença penal condenatória".

A PF não se manifestou sobre a proposta. O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, porém, classifica a possibilidade de transferência do ex-presidente da carceragem da PF em Curitiba para uma repartição militar como um "movimento apressado e sem respaldo dos policiais federais". De acordo com Boudens, cada deslocamento gera custos para os cofres públicos e uma enorme demanda de pessoal, além de aumentar a possibilidade de confrontos e situações de embate entre grupos de apoiadores e de contrários ao ex-presidente.

RESISTÊNCIA
Já as organizações à frente do acampamento Lula Livre informaram, por meio de nota, que seguem em resistência, exigindo a liberdade para o ex-presidente Lula. "Estaremos onde se mantiver a condenação injusta e sem provas, no contexto de nossa resistência pacífica. O tema dos moradores está sendo usado com má-fé, por pessoas e grupos que querem desviar o tema central, que é o arbítrio da prisão de Lula", escreveram.

"No que se refere ao acampamento, estamos instalados pacificamente em área pública. É notória a recepção dos moradores, que ajudam diariamente com água, energia elétrica, rede de internet. Muitos participam das atividades do acampamento, prestigiam nossas cozinhas e espaços culturais. A cada dia a imprensa presente pode verificar a melhoria na organização. A relação também é boa com o comércio", completaram.
As entidades garantiram ainda que cumpriram os acordos coletivos de silêncio das 22 às 7 horas. "Cerca de 80 pessoas da equipe de limpeza recolhem o lixo e fazem a limpeza todas as manhãs. E estamos sempre apontando melhorias na estrutura de banheiros. Realizamos uma carta aos moradores, onde reafirmamos nosso pedido de desculpas pelo transtorno, mas não somos responsáveis pelas violações, pela violência de sábado (7), esta sim precipitada pela Polícia Federal, nem pela arbitrariedades que estão sendo cometidas contra o Presidente Lula".

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