Delegado vai comandar nova secretaria em Curitiba
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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), anunciou ontem a criação da Secretaria Municipal Especial Antidrogas, que será comandada pelo delegado Fernando Francischini. Com essa, Curitiba totaliza 17 secretarias, além de 13 órgãos (como autarquias e institutos). A posse será na quinta-feira.
O delegado chefiava a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal em São Paulo e, segundo a prefeitura, foi cedido pelo Ministério da Justiça para ocupar o cargo em Curitiba.
O objetivo principal da pasta é reduzir os índices de homicídios e outros crimes ligados ao tráfico de drogas na capital. De acordo com Francischini, a intenção é investir na prevenção.
Apesar de a segurança pública ser responsabilidade do Estado, conforme previsto na Constituição, o prefeito decidiu criar a secretaria na tentativa de baixar os índices de violência. Ao justificar a criação da pasta, Beto Richa destacou que os índices de violência ''colocam Curitiba na sétima posição do ranking de mortalidade por arma de fogo entre as capitais''. ''A base da criminalidade está nas drogas'', destacou.
Já adversários do prefeito entendem que, por ser ano de eleições municipais, a criação da secretaria deve servir para fazer média com o eleitor. Beto Richa - desde as eleições de 2006 rompido com o grupo do governador Roberto Requião (PMDB) - tem interesse na reeleição.
A Secretaria Antidrogas terá apoio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), instituído pelo Ministério da Justiça em 11 regiões metropolitanas consideradas mais violentas, de acordo com pesquisas do ministério. O Pronasci pretende articular políticas de segurança com ações sociais, priorizando a prevenção. A previsão do governo Federal é investir R$ 6,7 bilhões no programa até 2012.
O novo secretário coordenará um trabalho articulado com secretarias como Defesa Social, Educação, Saúde, Cultura, Esporte e Lazer, Ação Social e Assuntos Metropolitanos, para desenvolver projetos em locais com altos números de homicídios e tráfico. ''Vamos trabalhar principalmente com crianças e jovens, disputando seu tempo e atenção, oferecendo projetos com atividades interessantes, para cortar o fluxo financeiro do tráfico'', explicou o novo secretário.
Francischini, 37 anos, nasceu em Londrina. Formado em Direito pela Universidade do Distrito Federal, participou da investigação que levou à prisão do traficante Juan Carlos Ramirez Abadia, em 2007. Ex-oficial da Polícia Militar e ex-oficial temporário do Exército no Paraná, fez cursos na área de gerência de operações integradas de repressão a ao tráfico de entorpecentes em organizações como o Departamento de Combate às Drogas dos Estados Unidos (DEA), Interpol e Polícia nacional de Portugal.


