Delegado vai a Curitiba investigar caso Comurb
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sexta-feira, 14 de julho de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O delegado Sandro Roberto Viana dos Santos, da PF de Londrina, estará em Curitiba na próxima semana para ouvir os empresários Raul Baglioli Filho, da empresa NT&C, e Luiz José de Oliveira Kesikowski, proprietário da Nova Forma e da Kesikowski Engenharia. Sandro é responsável por inquérito que apura lavagem do dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina em licitações fraudulentas.
As três empresas de Curitiba venceram licitações na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), no ano passado, no valor de R$ 1,6 milhão. O delegado quer saber qual a relação dos empresários com Márcio Luchesi, sócio-proprietário da Realty Investimentos e Participações, de São Bernardo do Campo (SP). Pela conta da Realty, no Banco Meridional, passou a quantia de R$ 1,6 milhão recebida das licitações fraudadas em Londrina.
Em depoimento ao MP, no final do ano passado, Baglioli Filho disse que foi procurado em maio do ano passado pelo ex-diretor da Comurb, Eduardo Alonso, que lhe propôs a operação com licitações. Ele teria trocado quatro cheques de sua conta particular, no valor de R$ 493 mil, por quatro cheques da Comurb.
Alguns dias depois, logo após a compensação dos cheques da Comurb, um representante da Realty o teria procurado com os cheques de sua conta particular em mãos, dizendo que estava com dificuldades de sacar o dinheiro. Por isso, ele acabou fazendo um DOC para a conta da Realty.
Com Kesikowski teria ocorrido a mesma coisa sendo nove cheques, das duas empresas, totalizando R$ 1,1 milhão. O empresário ainda informou ao MP que o dinheiro levantado com as licitações fraudulentas, segundo disse Eduardo Alonso, serviria para pagar dívidas de campanhas eleitorais.
Na semana passada, a PF esteve em São Bernardo tentando localizar Luchesi mas não conseguiu. No local onde deveria funcionar a Realty existe uma residência. A polícia apurou que o empresário morava num condomínio de luxo em São Paulo e só andava pela cidade com carros e motos importadas.
Luchesi é dono de apenas 1% do capital da Realty. Os 99% restantes pertencem à Norgred Sociedad Anonima, empresa uruguaia com sede em Montevidéu e que esteve envolvida na Operação Uruguai, utilizada pelo ex-presidente Collor.
Além da Realty, a PF descobriu que outra parte do dinheiro desviado da prefeitura passou pela empresa fantasma Freitas & Dutra que utilizou a foto de um laranja de Florestópolis para abrir uma conta em agência do Banestado de Londrina. No total, são 30 contas fantasmas abertas em agências do Banestado na cidade. Todas as contas tiveram a quebra de sigilo bancário decretada pela Justiça Federal, em junho.
Em agosto, a PF deverá ouvir o empresário Valdir Vicente do Prado, de São Paulo. Prado aplicou na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F), por meio da Bônus Corretora e Comodities, R$ 340 mil que teria saído da conta da empresa LC Máquinas, de Luiz Carlos Brandão, irmão de Lúcia Brandão, ex-diretora de operações da Comurb. A LC, Lúcia e Luiz Carlos estão sendo investigados pelo MP.


