Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), órgão subordinado à Secretaria de Estado da Segurança do Paraná, acredita ter encontrado ''fortes indícios'' de estelionato (obtenção de vantagem ilícita) dentro da Junta Comercial do Paraná (Jucepar). O inquérito foi aberto a pedido da cúpula da Jucepar, que invalidou nesta quinta-feira uma alteração contratual do Village Batel Empreendimento Ltda. A informação é do delegado Miguel Stadler, responsável pela investigação. Ontem, Stadler ouviu quatro funcionários da Jucepar, que estão colaborando com a polícia.
A alteração foi invalidada por suspeita de corrupção de funcionários da própria Jucepar, que teriam colaborado para burlar o procedimento para conseguir a alteração no contrato que embasou o pedido de liminar apresentado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4Região, em Porto Alegre (RS). A decisão do TRF determinou, na terça-feira, a reabertura do bingo Monte Carlo. O bingo pertence à empresa Village e fica na Avenida Batel, junto com o restaurante Village Batel.
A decisão de invalidar a alteração contratual foi tomada durante uma reunião do Conselho dos Vogais, a instância máxima de deliberação da Junta. A empresa Village é suspeita de corromper funcionários e burlar o procedimento para conseguir a alteração de contrato que embasou o pedido de liminar.
O pedido de investigação partiu do presidente da Jucepar, Júlio Maito Filho, que encaminhou à Secretaria de Estado da Segurança Pública uma solicitação formal de abertura de inquérito. Maito Filho também pediu à Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul a instauração de procedimento administrativo para investigar o envolvimento de funcionários.
Prestaram depoimento ontem dois procuradores da Jucepar e dois integrantes do Conselho dos Vogais. Os quatro continuam trabalhando normalmente na Jucepar. Os nomes deles são mantidos em sigilo, porque eles estão colaborando com a investigação. De acordo com o delegado Stadler, há suspeita de envolvimento de terceiros. O delegado explicou que, no decorrer da apuração do caso, pode ser detectada a prática de outros crimes, como concussão (extorsão cometida por funcionário público no exercício da função), corrupção passiva ou prevaricação (faltar ao dever do cargo).
O delegado espera concluir o inquérito antes dos 30 dias previstos. ''Até a metade da semana que vem devemos ter um quadro mais claro, com informações sobre quem fez o quê'', comentou o delegado. Na segunda-feira, mais cinco pessoas devem ser ouvidas, entre suspeitos de envolvimento e possivelmente um representante da empresa Village.
O escritório do advogado da empresa Village, Michel Saliba, informou que ele só estará disponível na próxima semana. A reportagem deixou recado no celular de Celso Lanzoni, dono do Village, mas não obteve retorno.
A Folha procurou também Maito Filho para uma entrevista, mas ele estava viajando, segundo informações de seu gabinete. De acordo com o Palácio Iguaçu, por enquanto ninguém será afastado de suas funções na Jucepar. O governo vai esperar a conclusão do inquérito.

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