Delegado pode permanecer em Londrina, mas não como chefe
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quinta-feira, 04 de agosto de 2005
Luciana Pombo e Cristiane Oya<br>Equipe da Folha 
O delegado Pedro Paulo de Figueiredo assumiu ontem temporariamente a chefia da delegacia da Polícia Federal (PF) em Londrina. Ontem o Boletim de Serviço da PF publicou a exoneração de Sandro Roberto Viana dos Santos, do cargo, divulgada anteontem pelo Diário Oficial da União, oficializando a remoção. O delegado de Maringá Élcio Fuscolin foi nomeado para o cargo e deve assumir no máximo em 30 dias.
Enquanto o Fuscolin não assumir, fico como provisório. Conversei com ele (Fuscolin) agora há pouco e ele falou que vai conversar com o superintendente (Jaber Makul Hanna Saad) e no prazo mais breve possível, me disse que antes de 30 dias, ele estará aqui, disse Figueiredo.
Até ontem de manhã, o setor de Recursos Humanos ainda não havia recebido a informação de transferência do delegado para outra unidade da Polícia Federal. Existia a possibilidade de que ele permanecesse em Londrina, mesmo perdendo a chefia da unidade.
A exoneração de Santos teria sido motivada por um e-mail anônimo encaminhado ao Ministério da Justiça em abril, alegando que ele teria sido indicado para o cargo pelo deputado federal José Janene (PP), citado como um dos operadores do esquema do mensalão em Brasília, e réu em várias ações do caso AMA/Comurb. A Polícia Federal negou a conotação política na remoção dos delegados de cargos ou unidades. A Folha não conseguiu entrar em contato com o superintendente da PF do Paraná, Jaber Makul Hanna Saad.
O setor de Recursos Humanos da Polícia Federal, em Curitiba, explicou que a remoção de servidores faz parte de uma política implementada pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Há cerca de dois meses, o Ministério da Justiça teria enviado uma instrução de Brasília recomendando a alternância de chefias em delegacias do interior do Estado e de Curitiba. A instrução traria o nome de Santos que estava no cargo de delegado-chefe de Londrina desde julho de 2003.
O presidente do PT no Paraná, André Vargas, não acredita nas indicações políticas na PF. No início do governo, o presidente Lula em uma reunião, disse que não admitiria indicações políticas na Polícia Federal, Receita Federal e órgãos de fronteira, defendeu.
Para o deputado estadual Homero Barbosa Neto (PDT), o delegado estaria sendo vítima de represálias por conta das ações que desenvolveria no combate ao tráfico de drogas e apreensão de entorpecentes.


