O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) André Lara Resende foram ouvidos no final da tarde de ontem pelo delegado da Polícia Federal Rubens Grandini, responsável pelo inquérito que investiga o grampo nos telefones do BNDES. A conversa aconteceu no gabinete que o Ministério do Planejamento mantém no 21º andar do banco e, segundo a assessoria de imprensa do BNDES, não se tratou de um depoimento oficial. O vice-presidente demissionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, também foi ouvido pelo delegado federal Rubens Grandini.
Lara e Mendonça chegaram ao banco às 16h45. Ontem, a diretoria reuniu-see para encontro que acontece todas as semanas. Resende e Barros foram se despedir dos colegas. Como o delegado estava no local, onde passou o dia ouvindo diretores, aproveitou para conversar com os dois principais envolvidos no caso.
A PF começou ontem a investigar dentro do BNDES como foi feita a escuta telefônica: houve uma varredura e técnicos da polícia estão tomando informações sobre o sistema telefônico da instituição. O laudo divulgado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC) das fitas apresentadas pela Agência Brasileira de Investigação (Abin) apontou que o grampo aconteceu na sede do banco.
O inquérito do grampo foi aberto ontem, com o número 013/98 da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Delecoie), e corre em sigilo. Os jornalistas estão proibidos de entrar no prédio da PF no Rio. Além das autoridades grampeadas, deverão ser ouvidos um dos controladores do consórcio Tele Norte Leste, Carlos Jereissati - acusado pelo ex-ministro de ter divulgado as fitas - e o ex-secretário de governo Eduardo Jorge Caldas, apontado pela imprensa como possível responsável pelo vazamento.
A procuradora Silvana Batini, encarregada pelo Ministério Público Federal de acompanhar o inquérito, deve se encontrar hoje com Grandini. Ontem eles conversaram apenas por telefone. Na reunião, eles vão acertar a estratégia de condução das investigações. Silvana recebeu na semana passada o relatório da Telerj sobre as investigações internas conduzidas pela empresa. Ela afirmou não ter tido ainda tempo de examinar os documentos, mas contou que a Telerj, no relatório, queixou-se de não ter podido examinar as instalações do BNDES, o que só teria sido permitido na sexta-feira passada.

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