Delegado não ouviu acusado de irregularidades
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma disputa interna por poder está sacudindo o primeiro escalão da Prefeitura de Curitiba. O chefe de gabinete do prefeito Cassio Taniguchi (PFL), Carlos Alberto Carvalho, tem sido apontado nos bastidores como o pivô da discórdia envolvendo outros secretários que querem a sua saída. Presidente municipal do PSDB em Curitiba, Carvalho já foi secretário municipal de Urbanismo, e atualmente é alvo de investigação policial que apura se houve ou não seu envolvimento em fraudes na concessão de alvarás, esquema descoberto em abril deste ano.
O inquérito foi aberto após uma denúncia feita por um ex-funcionário do setor de protocolo da prefeitura, Orlando Andrade Júnior. Segundo ele, era comum o pagamento de propinas para facilitar ou dificultar a liberação de alvarás para a abertura de estabelecimentos comerciais. Andrade Júnior, que foi preso na última quinta-feira por tentativa de extorsão e sequestro, disse que a quantia paga variava de acordo com a importância do estabelecimento a ser aberto.
Durante as diligências, o nome de Carlos Carvalho foi mencionado por testemunhas, que garantiram que o ex-secretário de Urbanismo sabia de todo o esquema. Procurado pela Folha quando a denúncia foi veiculada, em abril, Carvalho afirmou através de sua assessoria que desconhecia as irregularidades e teria o maior prazer em colaborar com as investigações. A Folha tentou marcar entrevistas com o ex-secretário por diversas vezes nos últimos dois dias, mas não obteve retorno.
A crise doméstica se acentuou na ausência de Cassio, em viagem à Africa do Sul. O prefeito participou do Rio+10, uma conferência sobre meio ambiente. Preocupados com o crescimento da influência de Carvalho dentro do governo Cassio, alguns secretários municipais mais próximos do prefeito iniciaram uma articulação na tentativa de afastar Carvalho, o que acabou não se viabilizando.
Segundo o delegado que preside o inquérito que apura a fraude, Guaracy Joarez Abreu, Carvalho deve ser ouvido apenas após o depoimento de todas as outras testemunhas e suspeitos de envolvimento nas fraudes. ''Na administração pública, só se consegue prosseguir com algo ilegal até um certo ponto. Pela hierarquia, sempre alguém tem que permitir ou se omitir para que a irregularidade possa prosseguir'', afirma o delegado.
De acordo com Guaracy Abreu, segundo os depoimentos colhidos de funcionários da prefeitura, a emissão de alvarás para a construção de postos de gasolina era a grande responsável pela maior parte das fraudes. O delegado pediu uma prorrogação de prazo à Justiça para prosseguir com a investigação. ''Dependemos de provas técnicas, que são mais demoradas de se obter, para avaliar se houve ou não favorecimento ilícito'', explica. (Colaborou Leandro Donatti)


