Luciana Pombo
De Curitiba
O delegado chefe do Grupo Força Especial de Repressão e Antitóxicos (Fera), Adauto de Oliveira, confirmou ontem que todas as quadrilhas especializadas que atuam no tráfico de drogas no Paraná estão sendo mapeadas e alguns integrantes já estão presos. Os nomes dos traficantes presos estão sendo mantidos em sigilo para não atrapalhar as investigações. ‘‘Temos inclusive empresários presos, pessoas de classe média e alta. Através deles é que pretendemos desmontar as principais quadrilhas que atuam, principalmente, na Grande Curitiba’’, declarou ele.
O mapeamento encontrou quadrilhas que atuam no tráfico de drogas em Curitiba, com rota no Mato Grosso do Sul, Paraguai e Santa Catarina. Outras quadrilhas atuam ainda no Norte do Estado. ‘‘São grupos que convivem pacificamente entre eles, mas que concorrem com o mercado interno de drogas’’, afirmou. As informações demonstram que as quadrilhas já estão sendo mais cautelosas. Elas não recebem mais cheques para o pagamento da droga.
‘‘Estamos obrigando as quadrilhas a agirem de forma mais discreta, mas estamos na cola. Eu garanto que se não me afastarem do Grupo Fera, o crime organizado acaba no Paraná. Não tenho nenhum interesse em deixar qualquer traficante fora das grades, seja ele quem for’’, garantiu.
Os dados sobre as quadrilhas foram apresentadas pelo delegado, em Brasília, na quinta-feira, durante depoimento à CPI. Oliveira ainda apresentou nomes de juízes e policiais que podem estar envolvidos no tráfico de drogas. Dos casos apresentados, três são de juízes que acabaram anulando julgamento de grandes traficantes
por excesso de prazo.
Provas sobre extorção envolvendo policiais e traficantes foram ainda denunciadas por testemunhas levadas até a comissão da Câmara. Alguns casos envolvendo policiais de Curitiba foram relatados durante os depoimentos. ‘‘Sempre soubemos que policiais civis estavam envolvidos no tráfico de drogas. Mas tem um número ainda maior de policiais que garante a liberdade do traficante através de chatagem e suborno’’, revelou. ‘‘Isto é uma forma de participação no tráfico, é favorecimento. Há extorção, há prevaricação, há crime grave. Suficiente para colocar um policial destes atrás das grades’’, afirmou.
Para os próximos dias, Oliveira espera efetuar a prisão de outros envolvidos no esquema do tráfico no Paraná. ‘‘Já temos mandados de prisão prontos. Estamos na caça dos traficantes’’, declarou.

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