Cascavel - Exatos dois meses após a morte do deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PTB), a polícia ainda não sabe quem foi o autor dos disparos e o mandante do crime. O delegado Alexandre Macorin, que investiga o caso, entregou ontem ao promotor de Justiça Marcelo Balzer Correia o relatório parcial e pediu novo prazo para a conclusão das investigações.
Familiares do deputado também estiveram com Balzer Correia e pediram a entrada da Polícia Federal nas investigações. O promotor disse que antes de tomar qualquer decisão fará uma avaliação detalhada do relatório de Macorin. ‘‘Só vamos conceder um novo prazo para conclusão do inquérito se for estritamente necessário’’, afirmou.
Macorin declarou que existem indícios da participação no crime da quadrilha chefiada pelo assaltante Luiz Carlos Bernardes Pires, o Balaio, morto no início do mês em confronto com a polícia. O delegado disse ainda que aguarda uma resposta da Justiça para o pedido de quebra de sigilo bancário e telefônico de pessoas que tinham ligação ou problemas com o deputado.
Para Alice Novaes, irmã do deputado, a cúpula da Polícia Civil está obstruindo as investigações. ‘‘Tiago era sub-relator da CPI do Narcotráfico. Tinha uma postura incisiva e crítica sobre a atuação da Polícia Civil em Cascavel. A cúpula da polícia e a Assembléia Legislativa sabiam que Tiago tinha pedido proteção especial e se sentia ameaçado. O Tiago pediu proteção porque tinha medo’’, desabafou.
Alice acusa o secretário de Segurança, José Tavares, de obstruir e limitar o trabalho do delegado designado ao não fornecer as necessárias condições para bom andamento das investigações. ‘‘Sabidamente, Tavares e Tiago tinham atritos. Ambos bateram boca acintosamente. Por conta disso, o secretário deveria ter se isentado de culpa, repassando para a Polícia Federal as investigações’’, ressaltou.
Os familiares de Amorim preparam para sexta-feira uma passeata contra a demora das investigações, quando o secretário de Segurança estará em Cascavel para inaugurar a Penitenciária Industrial.

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