Delegado é interrogado sobre licitação fraudulenta
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de outubro de 2002
Cristiane Oya<BR>Reportagem Local 
O delegado afastado do Trabalho no Paraná, Celso Soares da Costa, foi interrogado ontem pela manhã pelo juiz da 3 Vara Criminal, José Marcos de Moura, na ação penal que denuncia envolvimento do delegado em fraude em uma licitação na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU). Essa foi a primeira manifestação do delegado na ação que gerou a prisão preventiva de Costa no dia 23 de setembro.
Após 50 minutos de audiência, Costa se negou a dar declarações a imprensa. ''A afirmação dele no interrogatório é a de que não houve qualquer lastro fático jurídico que o envolvesse na denúncia oferecida pelo Ministério Público e que não há motivo algum para ele ser denunciado. Ele provará isso na instrução do processo'', relatou o advogado do delegado, Adolfo Góis.
Góis contestou o argumento de conveniência da instrução penal para a decretação da prisão e disse que deverá aguardar o julgamento de um recurso ajuizado no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ). Conforme o mandado de prisão e a denúncia do Ministério Público, Costa teria falsificado assinaturas e carimbos de duas empresas, que supostamente teriam participado da licitação, e teria feito ameaças a duas pessoas. ''Não há contemporaneidade entre as supostas ameaças e a ação penal, o que jamais justificaria a conveniência da instrução penal. Nos crimes de falsidade há que ter o corpo de delito, e já demonstrou que as asssinaturas tidas como falsas não partiram do punho do Celso Costa. Ele entregou (o software contratado), e tem documentações que entregou esse programa'', disse o advogado.
De acordo com Góis, Costa deverá permanecer na carceragem do 2º Distrito Policial, onde divide uma cela com outros seis presos. A defesa teria desistido do pedido de transferência para uma cela individual no Corpo de Bombeiros. ''A prisão para uma pessoa primária e de bons antecedentes é sempre um trauma e por pior que sejam as condições do 2º Distrito, ele com o passar dos dias já se adaptou ao local e até aos companheiros de cela.''
Também foi ouvido ontem pelo juiz, o ex-gerente administrativo da Comurb, João Batista de Almeida, citado na ação. O advogado de Almeida, Ademir Simões, alegou que o ex-gerente sofria pressões para assinar documentos da companhia. ''Não só ele como vários funcionários da parte administrativa. Mais diretamente do Eduardo Alonso, que era o superior imediato dele. Ele não fazia parte da Comissão de Licitação. Ele tinha que assinar alguns documentos por força da função dele. As vezes poderia até saber (que eram irregulares), mas na maioria das vezes não. Os documentos vinham prontos para ele assinar e ele os assinava'', afirmou. Simões ainda relatou que Almeida teria sido retaliado quando se negou a continuar assinando tais documentos. ''Ele foi primeiro deixado de lado, encostado por dois a três meses, e posteriormente foi demitido.'' Alonso não foi localizado.
No dia 17, outros cinco citados na ação deverão prestar esclarecimentos a Justiça.


