Delegado do Trabalho será removido
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quarta-feira, 25 de setembro de 2002
Cristiane Oya<BR>Reportagem Local 
O juiz da 3 Vara Criminal, José Marcos de Moura, deverá pedir hoje a transferência do delegado Regional do Trabalho, Celso Costa, para Londrina. Costa está preso desde terça-feira no Centro de Triagem, em Curitiba, acusado de fraude em licitações. ''No mandado de prisão já consta o pedido de transferência. Preso o réu, que ele fosse recambiado para cá'', observou Moura. ''Acho que eles não se atentaram para isso e amanhã (hoje) vamos entrar em contato com Curitiba e pedir que ele seja recambiado'', acrescentou.
O juiz decretou a prisão preventiva do delegado no dia 23, atendendo a denúncia do Ministério Público (MP), que acusa Costa de fraudar documentos para vencer uma licitação, no valor de R$ 49 mil, na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU). Ele será interrogado no dia 14 de outubro.
Costa foi levado para a Delegacia de Vigilância e Captura e de lá foi encaminhado para o Centro de Triagem. O superintendente da Delegacia de Vigilância, Adilson Xavier, afirmou que encaminhou ao juiz o comunicado da formalização do cumprimento do mandado de prisão ontem pela manhã. Conforme um funcionário da Central de Triagem, até ontem à tarde ele tinha recebido a visita somente de um irmão, que levou toalhas, roupas e material de higiene pessoal.
®MDNM¯ A Folha entrou em contato com o advogado procurado pela família do delegado. Ele pediu para não ter a identidade revelada, mas afirmou estar estudando o caso. A assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho informou que uma equipe está estudando o caso e que deverá se manifestar em breve sobre a prisão.
Os auditores fiscais do Trabalho fizeram uma manifestação ontem, em frente à DRT, em Curitiba, que tinha tom de comemoração pela prisão do delegado. Segundo o diretor da Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho, Luiz Felipe Bergmann, ''a política de trabalho de Costa era de mentiras e ameaças''. ''Queríamos mostrar à sociedade que tudo aquilo que vínhamos denunciando era verdade, tanto que ele acabou sendo preso'', sustentou.
À lista de irregularidades apontadas pelo deputado federal Florisvaldo Fier, Bergmann acrescenta outras atitudes do ex-delegado. Segundo ele, Costa vinha insistindo em fazer cobrança sindical das empresas de combustível. ''Foram mandados dois ofícios, ameaçando as empresas de que se elas não pagassem a contribuição, sofreriam a fiscalização da DRT'', denunciou. ''Se essa atitude não for ilegal, pelo menos é altamente imoral.''
A associação ainda acusa de, há duas semanas, ter ordenado que o Sistema de Gerenciamento de Multas fosse tirado do ar, impedindo que o órgão aplicasse multas, porque o funcionário que opera o sistema se negou a fornecer-lhe as senhas de acesso. Além disso, Costa teria o hábito de retirar equipamentos indispensáveis para a realização do trabalho daqueles servidores que se negavam a cumprir suas ordens.(Colaborou Denise Angelo)


