Delegado do Trabalho processa auditor
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quarta-feira, 23 de maio de 2001
Cristiane Oya De Londrina 
O delegado Regional do Trabalho do Paraná, Celso Costa impetrou ontem uma queixa-crime por calúnia e difamação contra o auditor-chefe do Município de Londrina, Osvaldo de Lima. Na semana passada, o auditor divulgou relatório com fraudes na licitação realizada na Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), no valor de R$ 7.335,00, vencida pela Celta System Informática Ltda., de propriedade de Costa.
É uma queixa-crime contra o Osvaldo em razão de afirmações caluniosas dizendo que o serviço contratado pela Acesf não havia sido entregue e a licitação teria sido fraudada pelo Celso Costa. Temos a comprovação de que o serviço foi prestado de acordo com o contrato, afirmou o advogado de Costa, Glauco Ramos. A queixa-crime também é estendida a Walace Soares de Oliveira, que assinou a proposta da Celta System.
O advogado relatou que para comprovar que o software vendido para a Acesf foi entregue, foi anexado à queixa-crime uma correspondência do ex-superintendente da Acesf, Marcos Lobo Colli. Nessa correspondência, Colli manda desinstalar o programa de dois computadores e deixar instalado em apenas um, disse Ramos.
No entanto, Colli não confirmou as informações do advogado. Eu me lembro que havia, na verdade, uma má prestação do serviço. Estávamos pagando um valor maior do que devíamos. Deveriam ter instalado o programa em três computadores e só instalaram em um. Mandei reduzir o pagamento, garantiu.
O auditor da prefeitura rebateu as acusações. Eu fiz a auditoria tomando por base documentos obtidos junto à Justiça do Trabalho. Tenho uma declaração da Acesf afirmando que o software adquirido da Celta nunca chegou a atender as necessidades daquela autarquia, então quem vai ter que se explicar é ele, concluiu. Lima ainda disse que somente o fato de o software não ter funcionado já demonstra que irregularidades na licitação.
A Folha tentou entrar em contato com o ex-superintendente da Acesf, Gustavo Santos, que solicitou a compra do software, mas ele não retornou as ligações.
Em Cornélio Procópio, os vereadores de oposição ao prefeito José Antônio Otoni da Fonseca (PMDB) retiraram de pauta o requerimento solicitando informações à administração sobre todos os participantes de licitações vencidas pelas empresas Celta e Planep Planejamento e Projetos Ltda. O recuo foi decidido anteontem à noite, durante asessão.
Os vereadores suspeitam de fraudes nas licitações vencidas pela Planep e pela Celta, por isso querem obter informações sobre as empresas participantes. Os vereadores de oposição ouvidos pela Folha disseram que a retirada do requerimento é temporária e que a solicitação deve ser encaminhada na próxima semana.
O presidente do PSDB e ex-vereador Francisco Raimundo da Silva, que participou das investigações iniciadas na Câmara há seis meses, considerou o adiamento no mínimo estranho. Ele alegou que as informações fornecidas pela auditoria realizada em Londrina são suficientes para motivar uma investigação sobre a licitação em Cornélio Procópio.
O ex-vereador Joaquim Antunes (sem partido), que também participou das investigações, lamentou a decisão. Ele adiantou que a documentação reunida pelo grupo deve ser encaminhada para a Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, em Curitiba, na próxima semana. (Colaborou Benedito Telles, de Santo Antônio da Platina)


