O delegado Regional do Trabalho do Paraná, Celso Costa, foi preso ontem, acusado de fraude em licitação. O mandado de prisão preventiva, solicitado pelo Ministério Público (MP), foi expedido no dia 23, pelo juiz da 3 Vara Criminal de Londrina, João Marcos de Moura.
Conforme a denúncia do MP, ajuizada há três meses, em abril de 1999, ''Celso Costa com a colaboração de sua esposa, Madalena Vatelavic, que também é sócia e diretora administrativa da empresa Celta System, providenciou a falsificação das assinaturas e carimbos nos protocolos das empresas Theophilo & Batistela S/C e Precisa Serviços de Informática S/C, bem como a formulação de propostas feita por ele em nome de sua empresa Celta System''. A empresa de Costa venceu a concorrência aberta na extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb, hoje CMTU), para a criação de um programa de computador para controle de multas no valor de R$ 49 mil.
''A materialidade do delito de falsidade de documentos imputado aos ora réus, indiciados estão consubstanciados pela cópia do procedimento licitatório e dos depoimentos prestados durante a fase de investigação. Mas a prova mais segura da existência do crime se encontra no resultado da perícia para se esclarecer a respeito da autenticidade ou não das assinaturas atribuídas a Osvaldo Alves de Lima (proprietário da Precisa) e João Cláudio Batistela (proprietário da Theóphilo & Batistela)'', justificou o juiz no despacho. Além de Costa e sua mulher, também são citados na ação criminal outras cinco pessoas, entre elas ex-diretores da Comurb.
Osvaldo Lima, que é auditor-chefe da Prefeitura de Londrina, reafirmou a falsificação de documentos de sua empresa e salientou que em uma auditoria na Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), foram identificadas outras irregularidades envolvendo a empresa do delegado. ''O laudo da polícia técnica indicou que não fui eu nem ninguém da minha empresa que assinou a proposta. Também existe na Acesf irregularidades dessa mesma empresa com falsificação de assinaturas.'' As denúncias de fraude na Acesf estão sendo apuradas pelo MP. A Folha tentou entrar em contato com Batistela e Madalena Vatelavic, mas eles não foram localizados.
Desde o ajuizamento da denúncia, Costa tentou duas vezes obter habeas-corpus preventivo, negados pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ).
O delegado também é investigado em um inquérito instaurado pelo Ministério Público Federal em denúncias do Sindicato de Trabalhadores no Setor Moveleiro de Arapongas, de irregularidades na fiscalização da Delegacia Regional do Trabalho (DRT).

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