Delegado do Gaeco desmente versão de mecânico réu da Voldemort
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015
Loriane Comeli<br> Reportagem Local 
O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, afirmou ontem que são absolutamente inverídicas as acusações do mecânico Ismar Ieger de que houve pressão ou "tortura psicológica" no momento de sua prisão, em 16 de março, por integrar organização criminosa que fraudou a contratação, pelo Estado, da oficina Providence, da qual Ieger era "laranja" de Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB).
As declarações de Ieger foram feitas durante seu interrogatório, na segunda-feira, perante o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio. Com isso, ele tentava explicar por que, naquela data, disse a um policial do Gaeco que, de fato, a oficina era de Abi. Esta "confissão", na qual Ieger aparenta tranquilidade, chegou a ser gravada pelo Gaeco e integra o processo da Operação Voldemort, mas o áudio não está disponível.
No interrogatório, Ieger disse que policiais do Gaeco o ameaçaram "para dizer algo que não é verdade". "Se você disser, vai embora agora", teriam lhe falado os policiais. Ieger completou: "Perguntaram se a oficina era do Luiz Abi. Eu disse que sim". Ele também mencionou Alan Flore, como autor de pressão.
"Ele vai ter que provar isso. Caso contrário, adotaremos as medidas cabíveis", disse o delegado, lembrando que outros acusados, depois de confessaram seus crimes, já lançaram mão da tese de "coação".
É o caso, por exemplo, do ex-vereador Henrique Barros, preso flagrante em janeiro de 2008 após receber R$ 9 mil em propina. Conforme vídeo gravado no Gaeco, ele aparece tranquilamente confirmando um esquema de cobrança de propina na Câmara de Londrina, mas, em juízo disse que foi pressionado.
"Esse versão, um tanto manjada, de tentar retirar a credibilidade de quem investiga, é usada quando não se consegue enfrentar os fatos da acusação", declarou o delegado.
A pedido da defesa de Ieger, Nanuncio encaminhou cópia das declarações do mecânico às corregedorias das polícias civil e militar. A versão de "tortura psicológica", que teria ocorrido há 8 meses, ainda não havia sido manifestada pela defesa do mecânico.


