Brasília - No depoimento mais esperado da CPI do Banestado, o delegado José Castilho Neto não apresentou novidades aos deputados e senadores que integram a comissão. Em momento reservado da sessão, que começou às 10h e não havia terminado até as 18h, ele repetiu nomes de políticos já divulgados pela imprensa como supostos beneficiários de remessas via CC-5. Disse, no entanto, não haver condições de, sem a conclusão do rastreamento do dinheiro no sistema financeiro internacional, saber se se tratam de homônimos ou de figuras conhecidas no país.
Castilho declarou ter sido vítima de uma ''operação abafa'', responsável pelo seu afastamento do caso - desde maio do ano passado ele não preside mais nenhum inquérito policial relacionado ao Banestado. Não disse, no entanto, quem comandaria a ''operação abafa''.
Castilho menosprezou o acordo de cooperação judiciária em matéria penal entre Brasil e Estados Unidos, o Mlat, o principal instrumento utilizado nas investigações internacionais.
''O Mlat é só uma ferramentinha. E, diga-se de passagem, muito burocrática'', afirmou o delegado, dizendo preferir utilizar sua ''retórica persuasiva''.
O depoimento de Castilho produziu críticas e elogios no plenário da comissão. ''Ele mostrou linhas de investigação importantes para o caso'', disse o deputado Moroni Torgan (PFL-CE). Entre elas: contar com o depoimento, à CPI, de delatores, em geral réus confessos em processos já em curso, que eventualmente tenham informações sobre o esquema de lavagem de dinheiro que é alvo da comissão.
O deputado Paulo Bernardo (PT-PR) preferiu as críticas. ''Ele é muito estrela. Esse é um cara perigoso. Não podemos trabalhar com as informações dele como se fossem coisa séria.''
A CPI, presidida pelo senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), investiga a remessa ilegal de cerca de US$ 30 bilhões para o exterior, por meio das chamadas contas CC-5, destinadas a brasileiros que residem no exterior e empresas com sede no exterior.
A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) apresentou ontem requerimento de convocação do ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf (PP), para depor à CPI do Banestado.

mockup