Delegado diz que vereador é mandante
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2001
Maurício Borges De Apucarana 
O delegado-operacional de Apucarana, João Batista Pinto, conclui amanhã o inquérito que apura a tentativa de homicídio contra o vereador José Antônio Dutra (PSDB), de Jardim Alegre (140 km ao sul de Apucarana). Para ele, existem provas testemunhais que o mandante do crime foi o também vereador Benedito de Jesus Batistet (PSDB), o Nenezão. Ele informou ainda que ontem pediu a prisão prisão preventiva de Claudinei Pedro da Silva, acusado de ser umas das pessoas que atiraram contra Dutra.
O delegado disse que o inquérito está praticamente concluído e deve seguir amanhã para o Fórum de Ivaiporã. O trabalho da polícia foi eficiente, deixando bastante claro, atavés de testemunhas, que havia um plano para matar o vereador José Antônio Dutra e que o mandante seria outro vereador, o Nenezão, argumentou o delegado.
Dutra, mais conhecido pelo apelido de Cabeção, recebeu sete tiros de revólver calibre 38, às 23 horas do último dia 5, quando chegava em sua casa. Ele disse que foi abordado por dois motoqueiros de capacete que, a uma distância de cinco metros, dispararam várias vezes contra ele.
Os tiros atingiram o tórax, o pescoço e o braço direito de Dutra, que ficou quatro dias internado no hospital. Desde o início, Dutra acusou Batistet de ser o mandante do crime.
Na semana passada, o vereador baleado afirmou que a próxima vítima seria o prefeito de Jardim Alegre, Osmir Braga (PSDB). O delegado, porém, disse que não existem provas ou depoimentos indicando isso.
Na semana passada, Nenezão chegou a ficar preso por três dias, depois que a polícia encontrou munição de uso restrito em sua casa (calibre 35 e 9 mm). Ele foi solto porque seu advogado Juarez Carneiro de Lima conseguiu liminar junto à 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba. Na avaliação do TJ, não havia motivos para que ele continuasse preso.
Em depoimento prestado no inquérito policial, Nenezão negou de forma veemente que tivesse sido o mandante do crime. Ele declarou que não tinha motivos para eliminar Dutra, de quem já foi vizinho e manteria amizade de longa data.
Sobre a prisão preventiva de Silva, o delegado afirmou: Trata-se de um dos pistoleiros que atiraram contra o vereador, e que reside em Curitiba. Na semana passada, depois de denunciado em depoimentos de testemunhas, Silva chegou a telefonar para o delegado de Jardim Alegre, João Batista do Prado, dizendo que iria se apresentar.
Como Silva não cumpriu a promessa, já está sendo tratado como foragido. Ele é irmão de Carlos Antônio Pedro da Silva, o Tonhão Gaúcho, que está preso em Ivaiporã, acusado de ser o intermediário na contratação dos pistoleiros.
O segundo atirador envolvido no caso foi identificado apenas pelo nome de Adilson, que moraria também em Curitiba. A polícia continua trabalhando para tentar descobrir sua identidade e pedir a prisão preventiva.


