Gerson da Luz Souza
De Cascavel
Especial para a Folha
O delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, Haroldo Davison, disse ontem que não há provas que apontem para o envolvimento de policiais sob seu comando com o tráfico de drogas. Na última segunda-feira, Rafael Valenga, prestou depoimento à Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa do Paraná e acusou sete policiais de Cascavel e um juiz de menor de integrarem uma quadrilha de traficantes de cocaína. O rapaz, que responde em liberdade a 11 processos, é apontado como um dos contatos para o transporte da droga.
‘‘Não tenho nada de oficial sobre isso. Os policiais citados estão aqui desde antes da minha chegada, e sempre trabalharam de forma correta. Jamais recebi uma denúncia formal a respeito deles, e não há motivos para afastá-los do trabalho’’, afirmou o delegado Haroldo Davison.
Ele observou que antes da criação da Delegacia Antitóxicos, há três meses, os policiais citados atuavam no combate ao tráfico, sendo responsáveis pela prisão de vários traficantes, ‘‘inclusive o próprio Rafael Valenga’’.
Para Davison, o denunciante estaria tentando ‘‘prejudicar’’ a imagem dos policiais que o prenderam, e também do juiz de menor, ‘‘a quem ele era apresentado quando preso, na época’’.
No depoimento à CEI, Valenga também citou um homem conhecido por Baianinho, que comandaria um dos principais pontos de droga em Cascavel. ‘‘Os únicos traficantes que conheço estão presos’’, contestou o delegado.
A CEI da AL está se propondo a vir a Cascavel, para apurar as denúncias. Para o delegado Haroldo Davison o deslocamento dos membros da comissão à cidade seria oportuno, pois ele próprio tem interesse em ver o caso esclarecido. ‘‘Se o Departamento de Polícia Civil considerar necessário, não vejo problema até na nomeação de um delegado especial para acompanhar o caso’’, concluiu Haroldo Davison.

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