''É o maior esquema de lavagem de dinheiro que se tem notícia e vai servir para fazer uma limpeza na política nacional'', afirmou ontem o delegado da Polícia Federal, José Francisco Castilho Neto, sobre as investigações das remessas irregulares de mais de US$ 30 bilhões através de contas CC-5 para agência do Banestado de Nova York. Segundo o delegado, o dinheiro que teria sido lavado naquela agência, seria obtido através de corrupção, narcotráfico e sonegação de impostos de todo território nacional.
Castilho e o perito da PF, Renato Barbosa, que retornaram no início do mês dos Estados Unidos, prestaram depoimento ontem à Comissão de Fiscalização e Controle do Senado Federal, que está investigando a lavagem de dinheiro através do banco estatal paranaense, vendido ao Banco Itaú em outubro de 2000.
''Foi feita uma panorâmica do maior trabalho nacional contra a corrupção e lavagem de dinheiro. Todo mundo que lavou dinheiro no período de 1996 a 1999 largou rastros na agência Banestado de Nova York e está fácil identificá-los'', disse o delegado. ''O Banestado foi a principal lavanderia, principalmente a agência de Nova York. Lavou dinheiro até!''
Esta foi a segunda vez que a equipe de Castilho esteve nos Estados Unidos. As investigações sobre o Banestado de Nova York se iniciaram ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), mas foram interrompidas em maio de 2002, devido ao afastamento do delegado do caso. ''Apesar da interrupção nas investigações, estamos conseguindo fazer o raio-X da corrupção no Brasil'', afirmou Castilho, que retomou o inquérito em fevereiro deste ano.
Conforme Castilho, das 137 contas abertas na agência americana do Banestado, de 1996 a 1999, nove estão com o rastreamento bastante adiantado. ''Nossa equipe já avançou sobre todas as barreiras burocráticas americanas e as provas estão sendo trabalhadas. A partir destas vamos para outras contas. O segundo passo do rastreamento é chegarmos até os nomes dos proprietários do dinheiro'', relatou.
Castilho não adiantou o montante que teria passado pelas nove contas já rastreadas, nem os titulares das contas, alegando que os dados estariam sendo mantidos em sigilo. A equipe do delegado deverá retornar aos Estados Unidos dentro de 30 dias.

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