Delegado-chefe de Cascavel é afastado
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segunda-feira, 25 de setembro de 2000
Paulo Pegoraro De Cascavel 
A Secretaria de Estado de Segurança Pública afastou ontem do cargo o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, Haroldo Davison. O comportamento de Davison relacionado à eleição municipal vinha sendo contestado por diversos setores. As principais críticas contra ele partiram de promotores e juízes eleitorais da Comarca, Associação dos Jornalistas e Subseção da Ordem dos Advogados (OAB) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná. Os juízes e promotores, por exemplo, acusaram a posição de absoluta parcialidade do delegado-chefe, com manifestações em favor de um candidato a prefeito.
Na semana passada, o juiz Sérgio Kreutz havia determinado o afastamento de Davison de qualquer procedimento relacionado às eleições, acatando pedido dos promotores eleitorais Marlene Armiliato, Hirmínia de Matos, Carlos Choinski e Carlos Bachinski. O Ministério Público (MP) alega que a medida era necessária para garantir lisura e tranquilidade do pleito. Além disto, os promotores pediram investigação sobre suposto envolvimento do delegado na campanha em favor do candidato a prefeito Tiago de Amorim Novaes (PTB) que, como deputado estadual, se apresenta como defensor das questões da segurança pública.
Os promotores alegaram que Davison fez declarações públicas (em entrevistas) de apoio a Novaes. Na semana passada, o delegado se pronunciou publicamente sobre um inquérito sobre suposta distribuição de cestas básicas para eleitores carentes. Ele classificou o episódio como verdadeiro estelionato eleitoral e de apoio aos candidatos a vereador Marcos Damaceno e a prefeito Edgar Bueno (ambos do PDT).
Davison avocou para si o inquérito, iniciado por outro delegado, mas, a seguir, a Justiça determinou seu arquivamento, por não haver comprovação do crime eleitoral. Apesar do arquivamento, programas eleitorais de Novaes mostraram Davison envolvendo Damaceno e Bueno e apontando o estelionato eleitoral.
O delegado não teria apresentado a mesma postura em outro episódio parecido. Há três semanas, o empresário João Artur Festugatto havia sido detido com 35 cestas básicas em sua camionete. Também foram encontrados adesivos de Novaes e do candidato a vereador Manoel Pedro dos Santos, ex-superintendente da 15ª SDP. Os promotores frisam que Davison pronunciou-se dizendo que, neste caso, não havia qualquer intenção eleitoral, embora haja denúncia do Ministério Público e o processo deve ir logo para a fase de julgamento.
No final da semana passada, essas e outras situações foram relatadas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pelos quatro promotores e os quatro juízes da Comarca Sérgio Kreutz, Paulo Hapner, Givanildo Constantinov e Noeli Reback. Eles argumentaram que a gravidade da situação deveria ensejar pedido de providências à Secretaria de Segurança. O presidente do TRE, Tadeu Marino Loyola Costa, imediatamente oficiou ao secretário José Tavares, solicitando o afastamento de Davison até o término da apuração das eleições.
A assessoria do secretário informou na tarde de ontem que Tavares já havia assinado portaria decidindo pelo afastamento definitivo. A portaria, que deve ser publicada amanhã no Diário Oficial do Estado, nomeia o delegado-adjunto da 15ª SDP, Nobuo Nagasse, para responder temporariamente pela chefia. Um procedimento administrativo investigará a atuação de Davison durante a campanha eleitoral. Ele foi procurado pela Folha, para comentar o afastamento, mas não foi localizado e não deu retorno ao recado.
Em entrevista recente à Folha, Davison havia dito que preferia não comentar decisões judiciais (como a de seu afastamento inicial das questões eleitorais), mas frisou que não usava sua condição de autoridade policial para fazer campanha. Disse ainda que, na 15ª SDP, ninguém usa bottom de candidato.
No entanto, o delegado acrescentou que, como cidadão, ninguém pode querer nos impedir de ter uma opção, e, se questionado, revelá-la. Sobre o caso do inquérito que avocou para si, disse que o fez porque o delegado que o havia instaurado começou meio atrapalhado, com falhas técnicas.


