Delegado apura suspeita de fraude processual em bingo
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quinta-feira, 22 de julho de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), órgão ligado à Secretaria de Estado da Segurança Pública, está fechando o cerco à empresa Village Batel, dona do Bingo Monte Carlo, aberto na semana passada. O delegado Miguel Stadler não descarta a possibilidade de fraude processual. Ele espera receber até o final desta semana cópias de documentos que podem revelar indícios de fraude, o que pode culminar com a entrada da Polícia Federal (PF) na investigação.
O inquérito apura a possibilidade de funcionários da Junta Comercial do Paraná (Jucepar) terem burlado procedimentos burocráticos em uma alteração contratual da empresa Village Batel. Essa alteração foi invalidada pela Jucepar, por suspeita de corrupção de funcionários. A alteração no contrato teria embasado o pedido de liminar apresentado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, com sede em Porto Alegre (RS).
Foi essa liminar que permitiu ao Bingo Monte Carlo, localizado na Avenida Batel, abrir as portas. Desde a semana passada, Stadler já ouviu mais de dez depoimentos, todos prestados por funcionários da Jucepar que têm seus nomes matidos em sigilo. Já na semana passada, depois dos quatro primeiros depoimentos, o delegado disse ter encontrado fortes indícios de estelionato (obtenção de vantagem ilícita).
Quarta-feira, Stadler ouviu mais quatro funcionários da Jucepar. ''Há divergências nos depoimentos, e por isso faremos acareações na semana que vem'', disse o delegado.
Na avaliação do advogado do Bingo Monte Carlo, Michel Saliba, a alteração no contrato social da empresa Village Batel não interferiu na decisão do TRF. O inquérito foi aberto a pedido do presidente da Jucepar, Júlio Maito Filho, após o cancelamento da alteração contratual.


