Delegado apura crime contra testemunha da CPI das Drogas
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domingo, 14 de janeiro de 2001
Agência Folha De Brasília 
A polícia de Chapada dos Magalhães (MT) investiga um possível atentado contra um mecânico paraense que depôs na CPI do Narcotráfico e, em setembro do ano passado, foi excluído do programa de proteção a testemunhas.
De acordo com as investigações, foram disparados dois tiros de rifle contra o mecânico no final de semana passado. Alguém disparou de um mato escuro. Não foi um assalto. Foi um atentado mesmo, afirmou, anteontem, Edson Coelho, chefe de operações da delegacia local.
O mecânico depôs na CPI do Narcotráfico em abril do ano passado, em São Paulo. Ele contou que policiais, empresários e políticos do Pará montaram um esquema para receber armas do Suriname e trocá-las por drogas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo guerrilheiro daquele país.
A pedido da CPI, o mecânico foi acolhido pelo programa de proteção a testemunhas e mandado em sigilo para o Mato Grosso do Sul. Quatro meses depois, foi excluído, porque teria descumprido regras do programa. Segundo o mecânico, sua exclusão aconteceu porque reclamou de não receber a ajuda de custo de um salário mínimo mensal.
O mecânico contou que, na noite do último sábado, saiu da casa onde mora para alimentar cachorros. Quando estava na varanda com sua mulher, aconteceram os disparos. Escutei o zumbido das balas. O mecânico disse que também disparou e os que atiraram fugiram. Para ele, eram duas ou três pessoas e não há dúvidas quanto à ligação entre o incidente e as denúncias que fez à CPI.
Há dois dias, ele viajou para Brasília para tentar no Ministério da Justiça sua reintegração ao programa, que o alojou numa casa sem proteção policial. O Ministério informou, por meio de sua assessoria, que irá reavaliar o caso do mecânico.


