SÃO PAULO - O delegado Mário Nakasa, da Superintendência da Polícia Federal de Brasília, afirmou ontem que a documentação apreendida na casa de Ibrahim Borges Filho, proprietário da IBF Factoring, no escritório da empresa e em poder de um contador comprovam a manipulação de preços no mercado de títulos municipais e estaduais. Segundo Nakasa, os papéis são importantes e deverão incriminar muitas pessoas e empresas.
Os funcionários do Banco Central e do Senado que acompanharam o delegado até a residência e os escritórios de Ibrahim e do contador - cujo nome não foi revelado -, no bairro de Santa Terezinha, não acreditam que o dono da IBF Factoring seja ‘‘um laranja’’. O delegado informou a um superior de que Ibrahim sabia o que fazia e deve ter ganho muito dinheiro.
O policial federal deverá viajar semana que vem para Alagoas, Santa Catarina e Pernambuco, onde a IBF também intermediou operações na venda de títulos públicos. Um levantamento das contas bancárias e das declarações de Imposto de Renda de Ibrahim e seus familiares mais próximos foi solicitado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos. A Polícia Federal e o Banco Central não acreditam que o dono da IBF assinasse os cheques e os documentos em branco conforme declarou à CPI.
Ibrahim está assustado. Acredita que poderá ser morto pelos participantes do esquema dos títulos. No final da noite de quinta-feira, na sala do superintendente da PF, pediu proteção para si e a família. ‘‘As pessoas ligadas a esse golpe são perigosas e dispostas a tudo’’, comentou com Nakasa.
O advogado do empresário, Ricardo José do Prado, repetiu o que dissera na quinta-feira na PF, em São Paulo. ‘‘Ibrahim foi usado pelas empresas, é um autêntico laranja.’’

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