O delegado do 3º Distrito Policial, Carlos Marcelo Sakuma, instaurou ontem inquérito para apurar o grampo telefônico que teria sido feito no prédio da reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ‘‘Como esse material foi apreendido na reitoria e seria de propriedade do chefe de gabinete (Itaicy Mendonça), a gente entende que (o grampo) tenha sido feito dentro da reitoria na universidade’’, observou o delegado. ‘‘Se for verificado isso, obviamente não foi feito de maneira legal, porque é uma instituição pública’’.
A escuta telefônica em quatro fitas cassete – de um total de 33 – foi confirmada no laudo do Instituto de Criminalística (IC) entregue ontem ao delegado. ‘‘A princípio não fizeram qualquer menção do conteúdo das fitas, mas afirmaram que existem grampos telefônicos e duas gravações feitas em ambiente’’, relatou Sakuma. O sigilo das conversações telefônicas é protegido por lei e fere o direito constitucional. O laudo foi entregue pelo chefe e pelo chefe-adjunto do IC, Darci Dória e Geraldo Gonçalves, respectivamente.
O material (fitas cassete, fitas de vídeo e fotos) foi apreendido pelo Ministério Público (MP) no dia 13 de junho, quando o vice-reitor Márcio Almeida renunciou ao cargo, fazendo denúncias de corrupção na instituição e acusando Itaicy.
O chefe de gabinete (afastado do cargo) também foi acusado, no início do mês passado, pelo apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá, de se beneficiar com o superfaturamento de contratos publicitários do vestibular da UEL com a rádio em que trabalhava.
Sakuma, que investiga o furto de computadores da reitoria, ocorrido dois dias após a denúncia de Mello, deverá solicitar, na próxima semana, a degravação das fitas para checar o conteúdo das conversações. ‘‘Iremos verificar se tem correlação entre esses grampos e o crime de furto que está sendo apurado. Caso contrário, novos inquéritos podem ser instaurados’’.
A Folha apurou que o laudo da Criminalística indica que em três fitas com gravações oriundas de grampo telefônico existe o registro da voz de uma pessoa identificada como ‘‘Itaicy’’. Ao prestar depoimento à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, na quarta-feira, Itaicy alegou ‘‘completo desconhecimento’’ sobre a prática de grampo na UEL.
A Comissão Permanente de Investigação instaurada pelo Conselho Universitário para apurar as denúncias de corrupção iniciou anteontem o trabalho de auditagem em licitações da UEL. O prazo para entrega do relatório vence no próximo dia 18. A comissão foi formada no mesmo dia da renúncia de Almeida. Além da polícia e da UEL, o MP também investiga as denúncias de irregularidades na instituição.
O reitor em exercício da UEL, Mauro Ticianelli, solicitou ontem à assessoria jurídica da universidade a verificação da possibilidade de uma varredura nos telefones da reitoria. ‘‘Devido às notícias veiculadas hoje (ontem) nos jornais, o chefe de gabinete, professor Antonio Carlos Zorato, me pediu que seja feita a verificação’’, justificou. ‘‘Essa situação está causando mal estar entre os funcionários’’, acrescentou. (Colaborou Lino Ramos)

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