Brasília - O presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), confirmou ontem que Roberto Costa Pinho, autor de um saque de R$ 350 mil da conta da SMPB, trabalhou para ele em 2002, por 45 dias. ''Confirmo que Robertinho passou 45 dias no meu comitê, no começo da minha campanha.'' As informações são da Agência Senado.
Delcídio afirmou, no entanto, que não tem mais contato com ele. ''Nunca mais trabalhei com ele. Soube que ele trabalhou com Gilberto Gil (ministro da Cultura). Ele é compadre do Gilberto Gil, já saiu do governo e acho que atualmente está trabalhando em Ribeirão Preto.'' Pinho sacou R$ 350 mil da conta da SMPB, empresa que tem Marcos Valério -apontado como o principal operador do ''mensalão''- como sócio. Segundo reportagem publicada hoje pela Folha de S.Paulo, Delcídio também foi fiador de Pinho no aluguel de R$ 3.000 de uma casa em Campo Grande.
O nome de Pinho foi citado por Marcos Valério, em depoimento à Procuradoria-Geral da República, como indicado pelo ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares para sacar dinheiro na SMPB.
A ligação entre Delcídio e Pinho causou uma reação imediata da oposição. ''Cabe ao presidente de uma CPI, criada para moralizar o país, dar todas as explicações cabais, firmes e induvidosas sobre qualquer coisa que diga respeito a sua lisura pessoal, profissional e de homem público. Portanto, está com a palavra o senador Delcidio Amaral'', afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
Já o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) alertou que o episódio deve ser analisado ''com cautela'', uma vez que Roberto Costa Pinho foi coordenador da campanha eleitoral de Delcídio em 2002, sendo que o suposto saque ocorreu recentemente. ''Mas o presidente da CPI dos Correios deve dar todas as explicações.''

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