Brasília - Um dia depois de atropelar seu partido, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) afirmou ontem que não foi eleito presidente da CPI dos Correios para defender o PT. Ele está sendo atacado por seus correligionários devido à forma como conduziu a votação do relatório final da comissão, aprovado por 17 votos a 4, em uma sessão que durou menos de meia hora. ''Não fui eleito presidente para defender o PT e nenhum outro partido da base'', disse ele, ao lado do relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).
O relatório pediu o indiciamento de mais de cem pessoas, entre elas os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Luiz Gushiken (Comunicação de Governo). O documento afirma que o mensalão existiu e que foi abastecido com dinheiro público. O relator, no entanto, poupou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao dizer que não há provas de que ele foi omisso em relação ao esquema.
Contrariado com o teor do texto, a bancada do PT apresentou um relatório paralelo no qual negava o mensalão e cancelava os pedidos de indiciamento de caciques petistas. O documento também atribuía a ''gênese'' do ''valerioduto'' ao PSDB mineiro.
Para Delcídio, o PT errou a estratégia ao apresentar um substitutivo e seria prejudicado se o documento fosse aprovado. ''Seria um tiro definitivo no pé do partido e em outras pessoas. Eu fico pasmo de ver a dimensão que a discussão tomou'', disse ele.
O presidente da CPI estava se referindo ao presidente Lula, que segundo ele seria o principal atingido caso o PT derrubasse o relatório original para votar o paralelo. De acordo com Delcídio, o primeiro voto em separado na fila para ser apreciado era o do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), que pedia o indiciamento do presidente da República por crime de responsabilidade. ''O Lula estava sendo conduzido pelo PT para dentro do processo.''
Serraglio disse ainda que, ao afirmar que os repasses feitos a deputados eram caixa dois, e não compra de apoio parlamentar, o relatório paralelo estava concluindo, na sua opinião, que a campanha do presidente Lula teria sido beneficiada pelo esquema, já que os pagamentos foram feitos durante o seu mandato.
Apesar da atitude adotada pelo PT, o relator afirmou que não sofreu pressão do governo. ''O governo Lula nunca interferiu na minha investigação. Ele tem lá seus defeitos, como a gente vê, mas isso não fez'', disse Serraglio.
Tanto Delcídio quanto Serraglio afirmaram que a bancada do PT não queria negociar mudanças no texto, e sim atrasar a votação. O prazo de funcionamento da CPI termina na próxima segunda-feira.

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