Delcídio declara 'guerra' virtual a Mercadante
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Agência Estado 
Brasília - É verdade que eles nunca foram amigos. Mas as diferenças entre o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), ficaram evidentes nas últimas horas pelo twitter. Anteontem, quando foi obrigado pelo Palácio do Planalto e pelo PT a votar pela absolvição do presidente do Senado, José Sarney (AP), no Conselho de Ética, Delcídio Amaral dedicou parte do dia a pôr mensagens em seu microblog criticando o líder petista.
''Coisa feia Mercadante. Pela manhã, assumiu junto aos senadores João Pedro, Ideli que iria ler carta do presidente Berzoini. Na coletiva negou'', escreveu Delcídio, em seu twitter, momentos depois do fim da sessão do Conselho de Ética. Além dele, os senadores petistas João Pedro (AM) e Ideli Salvatti (SC) votaram a favor de Sarney.
Em uma reunião com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o chefe de gabinete da presidência, Gilberto Carvalho, ficou acertado que Mercadante leria nota do PT justificando os votos dos três senadores petistas a favor de Sarney. Mas na hora, o líder não só se recusou a ler a nota, como também fez um discurso defendendo a abertura de um processo de investigação contra o presidente do Senado.
Na guerra contra Mercadante, Delcídio aproveitou ainda para colocar, na noite de quarta, em seu microblog, uma mensagem dá margem a dupla interpretação. ''São Paulo está impossível. Já estamos no G2. Nessa rodada os líderes patinaram (não confundir com política)'', escreveu o petista, em uma referência ao time de futebol. Mais cedo, logo depois de votar a favor de Sarney, Delcídio justificou sua posição.
''Ser governo significa assumir ônus e bônus. Desta vez foi ônus. Embora meu voto não alterasse o resultado não costumo assumir discurso fácil'', disse Delcídio. Ainda pela manhã avisou que os três petistas votariam de acordo com a orientação do partido.
Renúncia
Mercadante adiou para hoje o pronunciamento que faria na tarde de ontem para anunciar que deixará o cargo de líder de seu partido, informou sua assessoria de imprensa. A sessão plenária do Senado às sextas-feiras começa sempre às 9 horas, e Mercadante marcou seu discurso para as 10h30.
O adiamento, segundo a assessoria do senador, foi necessário porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chamou para uma conversa ontem à noite. Lula estava em viagem ao Nordeste e Norte. Mercadante, que entrou em divergência com senadores petistas na crise que envolve o presidente do Senado, já anunciou que deixará o cargo de líder.


