Curitiba O secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, protocolou na Corregedoria Geral da Justiça representação contra o juiz estadual da 3 Vara Cível de Ponta Grossa, Francisco Carlos Jorge. Delazari quer que o juiz seja responsabilizado disciplinarmente. Segundo o secretário, Jorge cometeu irregularidades na ordem que determinou a prisão de Delazari. As informações são da Agência Estadual de Notícias.
O pedido de prisão emitido pelo juiz contra o secretário partiu no dia 16 de dezembro, depois que a praça de pedágio de São Luis do Purunã, na BR-277, em Balsa Nova (Região Metropolitana de Curitiba) foi ocupada por integrantes do Movimento dos Usuários de Rodovias do Brasil (Murb). Os manifestantes reivindicavam redução nas tarifas de pedágio.
O que motivou o pedido de prisão contra Delazari foi a demora do Estado em atender a ordem de reintegração de posse, conseguida pela concessionária em 14 de dezembro, primeiro dia da ocupação. Porém, os oficiais de Justiça não teriam conseguido apoio da polícia para cumprir o mandado. Os ocupantes acabaram deixando a praça de pedágio por conta própria, depois de três dias. O juiz entendeu que, por ter sua ordem de reintegração de posse ignorada, houve ''desrespeito à requisição do Judiciário'', configurando a quebra do Estado Democrático de Direito.
Para Delazari, o pedido de prisão foi ilegal porque ele não foi intimado oficialmente para cumprimendo da decisão judicial. Delazari lembra que, desde os primeiros momentos do protesto na praça de pedágio, determinou que a Polícia Militar fosse até o local e já iniciasse o processo de negociação para a retirada dos manifestantes de maneira pacífica.
Ainda segundo o secretário, que é promotor de justiça, de acordo com a Lei Orgânica e Estatuto do Ministério Público, integrantes do MP podem ser presos apenas em casos de flagrante de crimes inafiançáveis. ''Além disso, quem deve cumprir qualquer ordem de prisão expedida pela Justiça contra um promotor ou procurador é o Procurador Geral da Justiça e não a Polícia Federal'', explicou Delazari, na ação.
A Folha procurou ontem, por telefone, o juiz Francisco Carlos Jorge, mas um funcionário do Fórum de Ponta Grossa informou que ele está viajando e retorna ao trabalho no dia 6 de janeiro.

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