Curitiba - Após quase oito meses em total silêncio sobre o imbróglio com o Ministério Público (MP) do Estado, o secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, resolveu finalmente falar com a imprensa sobre o assunto ontem. Em função de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), sexta-feira passada, Delazari foi obrigado a optar entre o cargo no Executivo e a função de promotor de Justiça do MP, do qual estava licenciado desde 2003. Quinta-feira, Delazari pediu a exoneração do MP para continuar na pasta. Ontem, ele desmentiu motivação política para permanecer no cargo e disse que foi movido pelo ''desafio'' de continuar o trabalho.
Delazari negou as supostas intenções de se candidatar a deputado federal, conforme se comentava nos bastidores políticos: ''Não sei o que fazer no futuro. Quero continuar concentrando meus esforços nessa missão. É um compromisso meu com o governador Requião de completar essa etapa''.
Criticado por ter insistido pela permanência nos dois postos (um de forma licenciada), Delazari afirmou que se tratava de uma manifestação contrária à resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que em nova interpretação entendeu que promotores de Justiça teriam até dezembro de 2006 para se desligarem de atividades no Poder Executivo.
''Eu não concordei com a interpretação da lei. O MP vai perder muito deixando de ocupar outras funções dentro dos organismos estatais. O MP perde um espaço que vai ser, a médio prazo, muito ruim para a instituição. Eu quis deixar para a história que um promotor de Justiça discordou desse entendimento'', enfatizou ele, destacando que o artigo 129 da Constituição Federal permitiria o afastamento de membros do MP para o exercício de outras funções. ''A ligação do MP com a área de segurança pública é quase que umbilical. O MP tem a função constitucional de realizar o controle externo da atividade policial. Foi o MP que certamente me transformou em secretário de Segurança Pública'', defendeu.
Sobre o fato de não ter atendido à resolução do CNMP, e outras decisões da cúpula do MP, Delazari se defendeu: ''A primeira decisão judicial objetiva e direta que atingiu a minha função foi a do STF na sexta-feira passada''.
Delazari estava nos quadros do MP há 14 anos e, como promotor de Justiça, poderia ter um salário de cerca de R$ 20 mil, inferior ao salário de secretário de Estado, em torno de R$ 12 mil. ''O salário de um secretário de Estado é excepcional. Dentro dos meus padrões de vida tenho condição tranquila de sobreviver. Aliás, sobrevivo muito bem. E qualquer outra discussão a respeito desse tema é absolutamente ridícula e infundada.''

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