Curitiba - O Paraná foi o alvo das atenções nas sessões de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) ontem no Congresso Nacional. Em reuniões recheadas de denúncias, as CPIs da Terra e do Tráfico de Armas ouviram o tenente-coronel Valdir Copetti Neves, acusado de comandar uma milícia armada contra sem-terras na região de Ponta Grossa. Além de Neves, o secretário estadual de Segurança, Luiz Fernando Delazari, também prestou depoimento, mas apenas na CPI da Terra.
A sessão mais conturbada aconteceu na CPI do Tráfico de Armas. Neves foi convocado para esclarecer a situação do contrabando de armamento no Paraná devido à sua atuação à frente do Grupo Águia, órgão da Polícia Militar que se destinava a coibir o tráfico e o roubo de cargas no Estado. Porém, a sessão acabou tornando-se um emaranhado de acusações não apenas contra Neves, por sua suposta participação em crimes contra os sem-terra, mas também em denúncias contra Delazari e contra o secretário de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Padre Roque Zimmermann.
Parte dos deputados que simpatizam com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) questionaram a atuação do grupo Águia, que teria sido desviado de sua função original para realizar reintegrações de posse no Governo Jaime Lerner (PSB), período em que houve conflitos no campo. Os parlamentares também tentaram por várias vezes ouvir Neves sobre a contratação de policiais para atuar como seguranças privados em fazendas através do sindicato rural de Ponta Grossa, mas Neves recusou-se a esclarecer os assuntos. ''Todos esses temas estão sendo investigados em inquérito policial, e eu reservo-me o direito de manter-me calado até que o inquérito seja finalizado'', alegou Neves.
O tenente-coronel ainda contava com o respaldo dos deputados ruralistas Abelardo Lupion (PFL-PR) e Alberto Fraga (sem partido-DF). Fraga fez uma defesa apaixonada de Neves, que acabou levando o tenente-coronel às lágrimas. ''Você é um injustiçado. Depois, quando ficar provado que você não cometeu crime nenhum, ninguém irá lembrar seu nome. Perto de um Waldomiro Diniz, você não é nada. O MST sim, é tudo de podre no Brasil'', defendeu Fraga.
Lupion também partiu em defesa de Neves, tentando transformar a reunião em uma sessão reservada (o depoimento estava sendo transmitido pela TV Câmara). O pefelista estimulou Neves a fazer denúncias contra o secretários Padre Roque. ''O tenente-coronel tem uma vida limpa e sempre foi reconhecido pela sua atuação na Polícia Militar. O que nós temos que ouvir aqui são as denúncias contra o secretário do Paraná que é acusado de traficar armas para os acampamentos dos sem-terra e de cobrar pedágio do MST'', afirmou Lupion.
Além das denúncias contra Padre Roque que Neves comprometeu-se a fazer na sessão reservada, o tenente-coronel também acusou Delazari de realizar grampos não-autorizados. ''Havia escuta telefônica e em muitos casos ela era feita sem autorização da Justiça, por determinação do secretário'', acusou Neves.

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