Curitiba - A coordenação do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), conduzida pelo então tenente (hoje capitão) Elias Ariel de Souza, chegou a ser questionada na transição entre o procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa e o promotor Ramatis Fávero (que administrou a PIC no período em que a procuradora Maria Teresa Uille Gomes era procuradora geral de Justiça). Uma das policiais militares que questionou a conduta de Souza é hoje investigadora da Cisesp (Central de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança Pública). O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, também questiona a atuação da PIC nos anos de 1999 e 2000. ''Se naquela época eu fosse promotor da PIC, tudo seria diferente'', considerou ele, em entrevista à Folha.
Delazari questiona inclusive o andamento de denúncias feitas na ocasião contra Neves e que foram arquivadas pela PIC. ''Naquela época (da CPI do Narcotráfico), a PIC recebeu denúncias envolvendo despejos forçados comandandos por Neves e não fez nada. A própria morte do Teixeirinha aconteceu numa ação comandada pelo Neves. Ele ainda deveria responder por homicídios, torturas. Todas as denúncias foram arquivadas'', revolta-se Delazari. Ele lembrou ainda que Neves foi o único paranaense lembrado, denunciado e condenado pela Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). ''Ele agia à margem da lei e cometia reiterados crimes.''
Delazari apresentou como prova de suas afirmações um depoimento dado pelo policial militar da reserva Ricardo José Derbis, preso com Neves no início do mês passado por formação de milícias armadas no campo. No depoimento, dado no dia 27 de abril, Derbis contou como a equipe de Neves supostamente torturava pessoas para conseguir confissões. Entre as práticas relatadas pelo policial estão: comer areia com cascalho e tomar água; e comer as próprias fezes. (L.P.)

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