Em menos de dois meses, o auditor Luiz Antonio de Souza, principal delator da Operação Publicano e réu confesso de crimes de exploração sexual, deixará a prisão – ele está encarcerado desde 13 de janeiro do ano passado, quando foi flagrado em um motel com uma adolescente de 15 anos. Atualmente, está na unidade um da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 1), em cela individual na enfermaria, praticamente isolado dos outros presos.
Segundo seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, Souza está apreensivo e ansioso para deixar a prisão. Até a data da saída, em 30 de junho, ele terá ficado preso um ano, cinco meses e duas semanas. "O sentimento é de ansiedade total. É o único auditor que está preso em razão da Publicano." Todos os auditores conseguiram habeas corpus ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF). Apenas José Luiz Favoreto está preso atualmente, mas em razão de crimes sexuais.
"Apesar de muitos criticarem, é uma pena longa e acredito que foi tempo suficiente para repensar a própria vida", declarou o advogado. Ferreira disse que a ansiedade provém, inclusive, de ameaças à vida de Souza, após sair da cadeia. Segundo ele, o cliente recebeu ameaças na prisão e, após a saída, poderá pedir reforço para sua segurança pessoal. "Ele tem direito de se incluído no programa de proteção a testemunhas, o que deve avaliado com o MP e o juízo."
Ferreira lembrou que após deixar a PEL, o cliente vai para prisão domiciliar e terá de, durante muitos anos, frequentar o fórum para audiências das até agora quatro ações da Publicano, ações de improbidade e ações por crimes sexuais, além do comparecimento periódico perante os juízes desses processo.
Pelo acordo de delação, homologado em maio do ano passado, Souza ficará preso em regime fechado até 30 de junho de 2016. Em 1 de julho, terá direito à prisão domiciliar, por três anos (até julho de 2019), sem ter o direito de sair de casa; no dois anos seguintes, continuará com tornozeleira, mas poderá locomover-se a eventual local de trabalho; a partir de 1 de julho de 2020, segundo o acordo, Souza cumprirá 10 anos de pena em regime aberto, sendo, no entanto, proibido de frequentar boates, casas noturnas e motéis e de ausentar-se de Londrina sem autorização judicial. Ao todo, a pena (incluindo a prisão preventiva desde 13 de janeiro) é de 15 anos, 5 meses e duas semanas. Além disso, conforme o acordo, aceitou entregar à Justiça duas fazendas avaliadas em R$ 20 milhões. (L.C.)

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