Delator revela repasses milionários ao fundo ligado a aliados de Bolsonaro
Em acordo de colaboração premiada, empresário apelidado de Mineiro diz ter repassado R$ 69 milhões a advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos
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terça-feira, 08 de setembro de 2026
Em acordo de colaboração premiada, empresário apelidado de Mineiro diz ter repassado R$ 69 milhões a advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos

Brasília - O acordo de colaboração premiada firmado pelo empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), aprofunda as investigações sobre o chamado caso "Dark Horse" e joga nova luz sobre as teias de financiamento que atingem o núcleo político da família Bolsonaro. O material da delação foi submetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro André Mendonça, que nesta terça-feira (8) determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Leandro Almada
O QUE DIZ O DELATOR?
Mineiro é dono da Entre Investimentos, apontada pela Polícia Federal como um braço operacional do banqueiro Daniel Vorcaro. Em seu depoimento à PGR, o empresário detalhou os mecanismos utilizados para viabilizar transferências milionárias.
O delator confirmou que a sua empresa repassou recursos a mando de Vorcaro para o Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos. O fundo era administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses totalizaram 12,3 milhões de dólares (o que equivalia a cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época), fracionados em sete pagamentos distintos, teoricamente destinados à produção da cinebiografia "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Para corroborar o acordo, Mineiro entregou um robusto conjunto probatório, incluindo notas fiscais de malas compradas para armazenar dinheiro em espécie, registros de transferências, contratos de mútuo simulados e vídeos de câmeras internas da empresa que registravam a movimentação de valores.
O delator relatou que gerava grandes volumes de dinheiro em espécie para Vorcaro — movimentando cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025 —, entregando os montantes em malas por meio de motoristas indicados. Embora tenha detalhado a logística do caixa dois e das remessas, Mineiro pontuou que nem sempre conhecia a destinação final de todas as entregas em espécie.
PRESSÃO SOBRE FLÁVIO
O envolvimento de Flávio Bolsonaro no caso veio à tona inicialmente por meio de mensagens reveladas pelo Intercept Brasil, que mostravam o senador cobrando patrocínios diretamente de Daniel Vorcaro para viabilizar o filme. Com a delação de Mineiro formalizando os rastros financeiros dessas operações internacionais — incluindo os vultosos montantes direcionados ao fundo gerido por aliados da família —, a pressão política sobre a candidatura presidencial de Flávio ganha contornos jurídicos mais densos.
Em mensagens e áudios revelados por investigações jornalísticas (como as reportagens do Intercept Brasil), Flávio Bolsonaro cobrou e negociou diretamente com Vorcaro um montante total de R$ 134 milhões (equivalente a cerca de US$ 24 milhões) para viabilizar e concluir a produção da cinebiografia Dark Horse. Os contatos cobrando o restante do dinheiro ocorriam principalmente devido a atrasos nos repasses das parcelas combinadas.
As investigações da PF e da PGR buscam apurar se os recursos que transitaram pelo esquema foram integralmente aplicados na produção cinematográfica ou se houve desvio de finalidade — com suspeitas de que parte das verbas possa ter sido direcionada para custear despesas de aliados no exterior, o que amplia o escopo da responsabilidade política e legal sobre o clã.
Publicamente, Flávio Bolsonaro tem negado a prática de irregularidades. O candidato sustenta que sua atuação se limitou a articular um patrocínio legal para a obra audiovisual e que nenhum centavo de Vorcaro foi depositado em suas contas pessoais. Diante da delação, o senador tem adotado uma postura de cobrança pela homologação rápida do acordo, desafiando os investigadores a exporem todas as provas, enquanto tenta blindar sua imagem em meio à disputa eleitoral e aos impactos desfavoráveis nas pesquisas de intenção de voto e rejeição.


Da Redação
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