Curitiba - O engenheiro Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, preso na Operação Lava Jato, afirmou ontem na CPI que investiga corrupção na estatal, que o delator Augusto Mendonça "é um mentiroso contumaz". Duque e o delator ficaram frente à frente em audiência de acareação na CPI da qual também participou o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, preso na Lava Jato. Duque e Vaccari permaneceram em silêncio, alegando orientação de seus advogados. Mas o ex-diretor de Serviços da Petrobras repetiu inúmeras vezes que o delator "é um mentiroso".
Mendonça confirmou aos deputados da CPI que fez "contribuições" ao PT - valores tirados da propina que afirma ter pago a Duque. A pedido do então diretor de Serviços da Petrobras, Mendonça disse que procurou Vaccari para ajustar os repasses. "Ele (Mendonça) é um mentiroso,ele sabe disso", reafirmou Duque, olhando para o delator. "Não consegue provar nada porque ele não tem nada para provar, porque ele mente."
O misterioso personagem "Tigrão" dividiu a sessão da CPI da Petrobras em Curitiba. Em seus depoimentos à Polícia Federal e à Justiça Federal, Mendonça disse que Duque enviava emissários a seu escritório para retirar propinas em espécie. Os emissários de Duque eram identificados pela alcunha "Tigrão", segundo Mendonça. À CPI, Mendonça, que representava a Toyo Setal em negócios com a Petrobras, afirmou que eram pelo menos três os "Tigrões" de Duque. Descreveu um deles como "gordinho" com um metro e 70 de altura, aproximadamente. Este ia "mais vezes" retirar o dinheiro.
Duque também disse que a cadeia "faz mal para a alma". A afirmação foi feita após um parlamentar observar que ele aparentava estar em bom estado físico. "Deputado, a cadeia não faz mal para o corpo, faz mal para a alma", respondeu o ex-diretor.

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