Delator diz que Delfim Netto recebeu propina em contratos fictícios
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terça-feira, 28 de junho de 2016
Agência Estado 
São Paulo - Um dos principais responsáveis pelo projeto da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em nome da construtora Andrade Gutierrez, o executivo Flávio David Barra afirmou à Procuradoria Geral da República, em novo depoimento dentro de seu acordo de delação premiada, que os repasses de propinas para o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto foram feitos por meio de contratos fictícios.
"A Andrade Gutierrez fez o repasse de sua parte, proporcionalmente à sua participação no consórcio construtora, a Delfim Netto, por meio de transferências a partir de contratos fictícios, à LS, empresa de consultoria de Luiz Apolônio, representante de Delfim Netto, e à Aspen, empresa de consultoria de Delfim", afirmou Barra, em depoimento no último dia 24.
O presidente afastado da empresa, Otávio Marques Azevedo, foi o primeiro a revelar o acerto de repasse de R$ 15 milhões para Delfim, a pedido do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci. Os valores, segundo afirmaram os delatores, seria pela participação do ex-ministro da Fazenda e principal conselheiro econômico do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na formação do consórcio formado por pequenas empresas em parceria com estatais, vencedor do leilão de Belo Monte, em 2010.
"Antonio Palocci, provavelmente em São Paulo, solicitou ao declarante o pagamento de R$ 15 milhões para Delfim Netto dedutível do 1% de propina a ser paga", afirmou o presidente afastado da Andrade, em seu termo de delação sobre Belo Monte. "A empresa atendeu essa determinação de Palocci, porém descontou o valor pago a Delfim do montante total solicitado aos partidos PMDB e PT, em partes iguais."
Azevedo afirmou, em fevereiro, e Barra confirmou neste mês que foram repassadas propinas para PT e PMDB na obra, pela empresa, principalmente por meio de doações eleitorais oficiais aos partidos e em campanhas eleitorais.
Defesa
Procurada ontem, a defesa do ex-ministro Delfim Netto informou que só vai se manifestar depois que tiver acesso à denúncia contra o ex-ministro. Antonio Palocci nega ter participado de qualquer negociação envolvendo a montagem do consórcio da obra de Belo Monte e afirma ser totalmente mentirosa qualquer insinuação de que teria solicitado contrapartida financeira para beneficiar partidos políticos. No ano de 2010, Palocci exercia mandato de deputado federal e não tinha nenhuma participação nas decisões governamentais sobre o setor elétrico.


