Delator da Quadro Negro põe cúpula do PR em xeque
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terça-feira, 15 de maio de 2018
Reportagem Local 
Curitiba - O dono da construtora Valor, Eduardo Lopes de Souza, principal delator da Operação Quadro Negro, disse em interrogatório à Justiça Estadual que políticos do alto escalão do Paraná foram os beneficiários do esquema que apura desvios na construção e reforma de escolas estaduais. Trechos do depoimento, prestado na semana passada, foram divulgados pelo Paraná TV 2ª Edição, da RPC TV. Neles, Souza reafirma o que falou na delação homologada no Supremo Tribunal Federal (STF).
São citados a governadora Cida Birghetti, o irmão dela, Juliano Borghetti, o marido, deputado federal Ricardo Barros, o ex-governador Beto Richa, seu irmão José Richa Filho, o Pepe, seu filho Marcello Richa, os deputados federais Valdir Rossoni (PSDB), os deputados estaduais Tiago Amaral (PSB), Ademar Traiano (PSDB) e Plauto Miró (DEM) e o presidente do TC (Tribunal de Contas) do Estado, Durval Amaral. Todos negam as acusações. O processo está na fase de novos interrogatórios de parte dos réus. O próximo a prestar depoimento na Justiça Estadual deve ser o ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação (Seed) Maurício Fanini, que segue preso em Brasília.
No vídeo, o empreiteiro contou que Fanini o interpelou em 2015, logo após a reeleição de Beto Richa ao Palácio Iguaçu, cobrando "mesadas" de R$ 100 mil para abastecer, via caixa 2, gastos de campanha do tucano em 2018 para o Senado. Os recursos ajudariam a bancar também as campanhas de Pepe e Marcello à Câmara Federal e à AL (Assembleia Legislativa), respectivamente. Até agora, o MP (Ministério Público) Estadual estima os desvios dos colégios em mais de R$ 20 milhões.
Aditivo
O delator falou ainda que houve pagamento de propina para um assessor de Rossoni, em caso relacionado a obras em Bituruna, no sudeste, sua base eleitoral, e que entregou dinheiro pessoalmente a Traiano na AL. Também disse que pediu verbas extras para Plauto e que o deputado do DEM teria cobrado um "pedágio" de 10% em troca do aditivo. O dinheiro obtido dos colégios também foi, segundo o dono da Valor, repassado para o caixa dois da campanha de Tiago Amaral, cerca de R$ 50 mil, com a anuência de Durval Amaral.
No caso de Ricardo Barros, a denúncia é de que o pepista teria acertado uma "mesada" de R$ 15 mil para Juliano Borghetti, que é seu cunhado, em troca de um cargo na vice-governadoria, então ocupada por Cida. Na delação, Lopes chega a dizer que a governadora o agradeceu pessoalmente pelo repasse ao irmão.
Conforme o telejornal, além de Souza, prestaram depoimento o filho dele, Gustavo, e a irmã, Viviane. Os três já tinham sido ouvidos no processo, entretanto, não haviam respondido a todas as perguntas.
PALÁCIO IGUAÇU
A governadora do Paraná, Cida Borghetti, informou que determinou à Divisão de Combate à Corrupção a investigação dos dois fatos: a Operação Quadro Negro e a troca de cargos. "A governadora nega as acusações e reforça que a funcionária citada no depoimento é servidora de carreira do Estado, nunca cumpriu expediente na vice-governadoria e sim na Casa Civil", acrescentou, em nota.
Em nota, o ex-governador Beto Richa disse serem falsas as informações prestadas por um "criminoso confesso que, buscando se livrar dos graves crimes cometidos, tenta sem qualquer fundamento ou apresentação de prova envolvê-lo nesses ilícitos". Beto Richa reafirmou também que, tão logo teve conhecimento de denúncias sobre fraudes na construção de escolas públicas, determinou a realização de investigações, que deram início à Quadro Negro. "Os servidores públicos envolvidos foram demitidos. A Polícia Civil do Estado do Paraná instaurou inquérito policial e os autores dos crimes foram presos".
Richa completou que a Procuradoria Geral do Estado, por sua determinação, ajuizou ações judiciais, que determinaram o bloqueio de bens, bem como ações de improbidade para o ressarcimento dos cofres públicos. Ele reiterou que "está à disposição da Justiça para contribuir com o esclarecimento da verdade, visto que sempre trabalhou em prol do interesse público".


