Delator da Publicano presta novo depoimento ao Gaeco
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sábado, 14 de novembro de 2015
Loriane Comeli<br> Reportagem Local 
Delator do esquema de corrupção na Receita Estadual de Londrina, o auditor Luiz Antonio de Souza prestou novo depoimento ontem ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e revelou, segundo seu advogado, Eduardo Duarte Ferreira, que mesmo após a prisão de dele, o esquema de cobrança de propina de empresários que sonegavam impostos prosseguiu.
O fato se comprovaria pela autuação com valor irrisório de uma empresa de produtos agropecuários. O acordo de corrupção, no valor de R$ 750 mil, foi firmado, segundo as declarações de Souza, em dezembro de 2014. Em 13 de janeiro, o auditor acabou sendo preso em flagrante com uma menina em um motel (ele responde também por crimes sexuais).
"O Luiz Antonio não recebeu esta propina negociada em dezembro. Ele já estava preso. Mas, agora, documentos obtidos pelo Gaeco, revelam que a autuação contra a empresa agropecuária foi realmente em valor irrisório", declarou Ferreira. Os documentos obtidos pelo Gaeco provêm da Receita Estadual. "Teoricamente, o acordo de corrupção foi cumprido. Alguém recebeu a propina após a prisão do Luiz Antonio e antes da deflagração da Operação."
A Operação Publicano, que envolve 62 auditores de Londrina, de cidades do Norte do Paraná e da alta cúpula da Receita, em Curitiba, foi deflagrada em março. Para Ferreira, o esquema continuou após a prisão de Souza porque os auditores envolvidos em corrupção acreditavam que o Gaeco investigava apenas os casos de exploração sexual. "Eles não acreditavam que estavam sendo investigados." Porém, ainda não se sabe quem teria ficado com a propina no caso deste empresa.
Desde que assinou acordo de delação premiada com o Ministério Público, em maio, Souza já prestou dezenas de depoimentos revelando quem e quanto pagou de propina aos auditores. A estimativa é que mais de R$ 500 milhões tenham sido desviados dos cofres públicos em sonegação de ICMS nos últimos 10 anos.


