Delator confirma repasse de propina a ex-delegado da Receita Estadual
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terça-feira, 26 de abril de 2016
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 
Principal delator da Operação Publicano, o auditor Luiz Antonio de Souza, afirmou ontem, perante o juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, que destinou dinheiro oriundo de propina ao colega Marcelo Müller Melle, delegado da Receita Estadual em Londrina entre fevereiro e agosto de 2015.
Souza afirmou que a pedido do auditor Milton Digiácomo repassou, em 2010, R$ 20 mil para Melle. Garantiu que o valor foi entregue a Digiácomo, mas não soube dizer se efetivamente foi entregue a Melle. Em 2010, Melle era assessor do então delegado da Receita, que não compactuaria com o esquema.
Também em depoimento prestado ontem no mesmo processo um apêndice da segunda fase da Operação Publicano em que são réus Melle e o ex-inspetor-geral de Fiscalização, Luiz Fernandes de Paula Digiácomo negou ter feito tal pedido a Souza e, por consequência, ter recebido dele qualquer valor.
A defesa de Melle solicitou uma acareação entre os dois auditores, que foi negada pelo juiz com o argumento de que ambos são informantes e, portanto, não têm compromisso de dizer a verdade.
Souza, Digiácomo e José Luiz Favoreto, arrolados como testemunhas de defesa, foram ouvidos como informantes no processo, já que também são acusados de integrar a suposta organização criminosa incrustada na Receita. Também prestaram depoimentos ontem um auditor e uma funcionária do setor administrativo. Um policial do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e um contador foram ouvidos como testemunhas de acusação.
Neste processo, Melle e De Paula são acusados de integrar a suposta organização criminosa e de terem se beneficiado com propinas arrecadadas de quatro empresas. Os dois negam as acusações. O advogado de De Paula, Elias Mattar Assad, considera que as declarações do principal delator não são verdadeiras. "O grande desafio é separar o que é ficção e o que é realidade. A mim não me convenceu o delator. Noventa por cento é ficção, no meu sentir", afirmou.
O promotor Jorge Barreto da Costa sustenta que as declarações de Souza já foram confirmadas por outros elementos, como testemunhas de empresários que pagaram propinas. "Sem dúvida alguma há outros elementos de prova."
Hoje o juiz Juliano Nanuncio vai interrogar De Paula, que apesar de morar em Curitiba, optou por ser ouvido em Londrina. Já Melle, que ontem acompanhou parte da audiência, vai ter ser interrogado em Cornélio Procópio, onde reside.


