Delator cita participação de Aécio em esquema
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 2016
Fausto Macedo e Ricardo Brandt<br>Agência Estado 
São Paulo - O empresário e lobista Fernando Moura afirmou anteontem, em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro, da Justiça Federal de Curitiba, que o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), teve participação em um esquema de desvios de verbas na estatal de Furnas.
Segundo ele, o tucano recebia "um terço" da propina desviada. O restante tinha como destino o PT de São Paulo e o PT nacional.
Conforme disse Moura, logo após a eleição presidencial de 2002, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva, foi feita uma reunião para discutir as nomeações para cargos em diretorias de autarquias e empresas públicas estratégicas da administração.
Segundo ele, uma das diretorias era a de Furnas (estatal de geração de energia), apontada como cota do senador Aécio Neves (PSDB), então governador de Minas Gerais.
Moura relatou que os indicados para as diretorias deveriam ter 20 anos de casa. "Tinha de ser funcionário da casa para poder receber essa indicação."
A reunião ocorreu em novembro de 2002. "Levei pro Zé (Dirceu) o nome do Dimas Toledo, que continuasse na diretoria de Furnas. Ele (Dirceu) usou até uma expressão comigo. 'O Dimas não, porque se o Dimas entrar em Furnas até como porteiro vai mandar em Furnas, está lá há quatro anos, é uma indicação que sempre foi do Aécio'. Passado um mês e meio ele (Dirceu) me chamou e falou: 'Qual a sua relação com Dimas Toledo?' Eu falei, estive com ele três vezes, achei ele competente, cara profissional. O Zé me disse. 'Porque esse foi o único cargo que o Aécio pediu pro Lula, então, você vai lá conversar com Dimas e diga que a gente vai apoiar a indicação dele."
Moura disse que "foi conversar com o Dimas". "Na oportunidade, ele (Dimas) me colocou, da mesma forma que eu coloquei o caso da Petrobras, em Furnas era igual. Ele falou 'vocês nem precisam aparecer aqui, vocês vão ficar é um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio'."
Defesas
A assessoria de Aécio rebateu, em nota: "Essa declaração requentada e absurda repete uma vez mais a velha tentativa de vincular o PSDB aos crimes cometidos no governo petista. O PSDB jamais fez qualquer indicação para o governo do PT.
O senador Aécio Neves não conhece o lobista, réu confesso de diversos crimes, e tomará todas as providências cabíveis".
Dimas Toledo, afirmou, por meio de nota, que "repudia com veemência as declarações feitas pelo senhor Fernando Moura a seu respeito, por serem absolutamente inverídicas".
De acordo com ele, "é lamentável que no desespero de buscar credibilidade perdida no meio de diversas contradições e inverdades, o delator insista no uso da mentira para confundir autoridades e tumultuar importante investigação em curso no País".


