A expectativa é que Eduardo Cunha entregue os documentos confessando e delatando crimes já na próxima semana
A expectativa é que Eduardo Cunha entregue os documentos confessando e delatando crimes já na próxima semana | Foto: Lula Marques/AGPT


São paulo - O ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) já está finalizando os textos com as informações para o acordo de delação premiada que pretende fechar com a Operação Lava Jato. O peemedebista já rascunhou mais de cem anexos para a colaboração. Cada anexo traz resumos dos fatos apresentados ao longo da negociação que devem ser detalhados nas delações. Ainda não se sabe quantos deles serão aproveitados no acordo oficial.

Procuradores que integram a força-tarefa têm conversado com os advogados de Cunha e acompanham de perto cada passo que ele dá em direção a um acordo com as autoridades.

A negociação tem sido considerada satisfatória e a expectativa é que ele entregue os documentos confessando e delatando crimes já na próxima semana.

Cunha deve envolver diretamente o presidente Michel Temer, os ministros Moreira Franco (Secretaria Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR) em sua delação.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados integrava o núcleo duro do PMDB formado por Temer, Jucá e os dois ministros. O grupo liderou o movimento que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, em 2016.

Cunha teria participado não apenas das grandes negociações políticas mas também de esquemas de arrecadação de recursos para campanhas eleitorais do grupo e do recebimento de propinas. Ele teria provas sólidas das acusações que fará.

Ao contrário do doleiro Lucio Funaro, operador de Cunha que foi transferido do Complexo Penitenciário da Papuda para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, para facilitar as conversas com seus advogados e finalizar sua colaboração, Cunha continua preso em Curitiba. O doleiro é apontado como operador de esquemas de corrupção como os que envolvem a Caixa Econômica Federal.

As autoridades, no entanto, reservaram ao ex-deputado uma sala especial no Complexo Médico-Penal de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) para que ele possa conversar com seus advogados, que devem redigir os anexos da delação baseados nas informações prestadas pelo cliente.

O advogado de Cunha, Délio Lins e Silva Júnior, negou à reportagem que o peemedebista já esteja negociando acordo de delação premiada.

As delações de Cunha e de Funaro podem integrar a segunda denúncia que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve apresentar ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra Temer, agravando a situação do presidente.

"DELAÇÃO CASADA"

Preso no Paraná há oito meses, Cunha está trabalhando em uma proposta de delação premiada "casada" com a de Lúcio Funaro. A decisão de delatar veio depois que Funaro bateu o martelo de que tentaria fazer o acordo.

Pessoas próximas a Cunha relataram que ele se viu sem saída, já que o operador iria esvaziar suas chances de delação, além de tornar a sua libertação ainda mais difícil. Envolvidos nas negociações afirmaram à reportagem que o ex-deputado nunca esteve tão perto de tentar um acordo.
Segundo pessoas que tiveram contato com o ex-deputado, Cunha está redigindo no Complexo-Médico Penal os anexos com os fatos que pretende revelar no acordo. Ainda não se sabe quantos deles serão aproveitados no acordo oficial.

Para cuidar da negociação de sua delação, ex-deputado contratou o advogado Délio Lins, o mesmo que fez o acordo de delação do ex-governador do Mato Grosso Silval Barbosa, do mesmo parido de Cunha, o PMDB.

Na tarde de quarta (5), Lúcio foi transferido para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília. O pedido de transferência foi feito pelo Ministério Público Federal, com quem Funaro tenta um acordo, e autorizado pelo juiz da 10ª vara do Distrito Federal Vallisley Oliveira.

mockup