Definida data de venda da Copel
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quinta-feira, 02 de agosto de 2001
Carmem Murara 
O governo do Estado anunciou ontem que pretende vender a Companhia Paranaense de Energia (Copel) em leilão e por oferta de ações aos empregados no dia 31 de outubro, em local ainda a ser definido. A data foi confirmada ontem pelo representante de uma das advisers, o consórcio Diamante, Venilton Tadini, durante a audiência pública. As advisers são consultorias que fazem a modelagem e definição do preço de venda. O preço mínimo só será divulgado no próximo dia 24, com a publicação do edital de venda. O governo não quis comentar informações do mercado financeiro de que a Copel seria vendida por um preço mínimo em torno de R$ 8,5 bilhões.
A forma como a Copel será privatizada foi anunciada durante audiência pública, que ocorreu entre as 17 e 19 horas na antiga sede administrativa do Banestado. Depois de uma tumultuada guerra de liminares travada entre governo e membros do Fórum Popular Contra a Venda da Copel, foi possível fazer a sessão pública.
Venilton Tadini anunciou que a Copel será vendida em um bloco único, que engloba os setores de geração, transmissão, distribuição e as demais participações que a companhia tem em outras empresas. A Copel tem ações na Sanepar, na Sercomtel e no provedor de internet Onda, além de investimentos em hidrelétricas em outros Estados. A proposta de vender toda a holding conta com o respaldo do governo do Estado.
O governo venderá toda a sua participação acionária, que hoje é de 31% do capital total, ou 58% se forem consideradas apenas as ações ordinárias que dão direito a voto. O Estado pretende comprar os 26% que pertencem ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - Participações (BNDESPar) e vai ainda se oferecer para comprar as ações ordinárias que estão em posse de acionistas minoritários e que totalizam 15%.
As ações que forem adquiridas dos minoritários serão vendidas com desconto de 30% para os funcionários da Copel. A oferta aos empregados irá variar de 8,5% a 10%. O procedimento é semelhante ao que ocorreu no Banestado, quando os funcionários tiveram a opção de ficar com as ações com deságio para depois vender a preço de mercado. É um processo que beneficia todas as partes, garantiu ontem o presidente da Copel, Ingo Hubert.
A proposta dos advisers é que a sede da Copel seja mantida no Paraná e que seja garantido a manutenção da Fundação Copel, que garante assistência previdenciária aos funcionários. O novo dono será obrigado a assegurar emprego aos empregados por pelo menos 18 meses. Há ainda a obrigação de manter a atividade elétrica por cinco anos. Todas essas propostas poderão ser modificadas até a publicação do edital de venda.
A privatização da Copel está sendo considerada o maior negócio do setor energético deste ano, no País. Hubert afirmou ontem que os grupos estrangeiros Endesa (Espanha), Eletricité de France (EDF, da França) e Hydro Quebec (Canadá) já estiveram consultando o data room. A Tractbel (Bélgica), a RWE (Alemanha) e AES (Estados Unidos) já se inscreveram para a sala de dados. Segundo Hubert, demostraram interesse na compra da Copel a Iberdrola (Espanha), e os grupos brasileiros VBC (Votorantin e Camargo Corrêa), Previ (Banco do Brasil) e Petros (Petrobras).


