Após praticamente quatro meses de expectativa, a Copel deve responder à Prefeitura de Londrina até o final deste mês se tem ou não interesse na compra de ações da Sercomtel. Antes disso, a estatal aguarda, para os próximos quatro ou cinco dias, a conclusão dos trabalhos de uma consultoria externa que avalia o preço das ações da telefônica.
A informação é do diretor de Finanças e Relações com Investidores da Copel, Paulo Trompczynski, que falou sobre o assunto pela primeira vez, desde a reunião de acionistas, realizada em abril, em que a Prefeitura entrou a proposta de venda de 10% do bolo acionário. Se isso for aceito haverá uma troca de comando, já que, desde a venda de 45% das ações à Copel, em 1998, o Município é sócio majoritário com 55%.
Em entrevista à FOLHA, o diretor da estatal fez questão de destacar, em mais de uma oportunidade, que a consultoria - ou ''auditoria'', como se referiu em pelo menos três vezes - não sinaliza ''desconfiança em relação à Sercomtel'', e sim, uma ''cautela sempre necessária nesse tipo de transação''.
''Para determinar o valor dessas ações, precisamos adotar tal tipo de iniciativa. Não é uma desconfiança de um parceiro nosso; pela lei das S.A.s (sociedades anônimas), há que ver o quanto valem ativos e passivos para determinar o valor da transação'', justificou.
Na assembléia de acionistas da Sercomtel, a telefônica apresentou ao sócio um estudo de viabilidade técnica, comercial e jurídica realizado por um grupo de trabalho interno. Na ocasião, Trompczynski definiu prazo de 90 dias para encaminhamento de resposta à Prefeitura - que venceu, portanto, em julho.
Questionado sobre o atraso, o diretor argumentou que constantes consultas à legislação da área de telecomunicações - com consultas formais e informais, explicou, à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) - inviabilizaram que o assunto já tivesse sido encerrado, ou, pelo menos, avançado.
Trompczynski se referiu ao fato de o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ser o segundo maior acionista da Copel - e de ser, paralelamente, acionista de outras operadoras de telefonia no País.
''O fato de a Copel ser sócia não é problema - mas como o BNDES está em outras empresas de telecomunicações, verificamos se isso não infringe, eventualmente, a legislação do setor'', observou.
O executivo conta com a hipótese de ser levantado qualquer óbice de natureza jurídica, nesse sentido, justamente por constar, no estatuto social da Copel, atuação na área de energia elétrica, e não de telecomunicação. ''E como o setor de teles é cada vez mais concorrido, tanto a situação de economia mista da telefônica a faz perder agilidade nessa competição, como algum outro problema momentâneo. Ou seja, teríamos de explicar (à agência reguladora) como ficaria a rentabilidade futura, e isso depende, claro, da avaliação de eventuais déficits'', sinalizou.

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