As cerca de duas horas e meia de reunião a portas fechadas ontem não foram suficientes para que os vereadores da Câmara de Londrina entrassem em acordo. O resultado desagradou vários parlamentares e chegou a provocar uma série de desistências e renúncias, mantendo indefinidos cinco dos doze grupos técnicos do Legislativo.
As comissões permanentes precisam ser definidas na primeira sessão do ano porque qualquer projeto de lei depende dos pareceres para tramitar na Câmara. Após a eleição dos membros, que deve manter a proporcionalidade das representações partidárias, as funções são acertadas entre os membros. Porém, cinco comissões com deficit de componentes se mantiveram "em aberto" e devem ser definidas na sessão de amanhã.
O caso mais icônico é o do vereador Jamil Janene. De olho na Comissão de Justiça, a mais cobiçada da Casa, já havia articulado votos necessários para sair presidente. Porém, no momento da definição, com mudança de posicionamento de Vilson Bittencourt (PSL), a comissão acabou presidida por Pastor Gerson Araújo (PSDB).
Diante disso, o pepista e Marcos Belinati (Pros) decidiram renunciar aos cargos. "É uma comissão forte que não pode ficar submissa ao Executivo", reclamou Jamil. Bittencourt disse que aceitou votar para integrá-lo à comissão, mas não tinha definido em quem votaria para presidente.
Mais tarde, em plenário, Jamil tentou entrar na Comissão de Finanças, da qual fez parte no ano passado. Gustavo Richa (PHS) aceitou, então, renunciar ao posto nesta comissão e Jamil iniciou articulação para angariar votos.
Porém, ao perceber que não conseguiria apoio suficiente, já desistiu do novo posto. "Vou deixar para o presidente (Professor Fabinho, PPS) resolver de qual participo." O terceiro membro será definido amanhã e Gustavo deve tentar retornar.
Indicado para participar de três comissões, Emanoel Gomes (PRB) decidiu ficar apenas na Comissão de Cultura e Desporto e renunciou às de Desenvolvimento Econômico e de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Sua saída desta última viabilizou que Mario Takahashi (PV) fosse integrado ao grupo dominado por governistas, mas o anúncio desagradou Elza Correia (PMDB).
Dizendo-se surpresa por não ter conversado sobre o ingresso de Takahashi, a vereadora renunciou ao cargo – se tivesse permanecido, faria parte de seis das doze comissões permanentes.
De volta à Comissão de Seguridade Social neste ano, Lenir de Assis (PT) diz que gostaria de ter a presidência, mais uma vez nas mãos de Gustavo Richa. Porém, ela diz que sua situação é melhor que a do ano anterior, quando foi limada do grupo. Ela está nas quatro comissões que tinha interesse.
Ao explicar a renúncia de Gustavo da Comissão de Finanças, Takahashi admitiu que os acertos em 2015 foram atípicos. "Houve renúncias também em outros anos, mas não tantas como agora."
Além de definir a composição final dos grupos, os vereadores devem eleger amanhã os novos membros da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, cujo mandato de dois anos se encerrou em 2014.


"É uma comissão forte que não pode ficar submissa ao Executivo"
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