A Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina instituiu um programa de desligamento voluntário (PDV) para funcionários aposentados e espera alcançar uma economia mensal de R$ 170 mil. Hoje o deficit da companhia varia entre R$ 150 mil e R$ 200 mil por mês e o balanço do ano passado fechou com prejuízo.
Segundo o diretor administrativo-financeiro, Claudemir Vilalta, a Cohab tem 19 funcionários aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) – o quadro funcional é de celetistas, já que a Cohab é uma sociedade de economia mista. Se todos aderirem, seriam necessários R$ 1,3 milhão para as indenizações e cerca de R$ 400 mil para as verbas trabalhistas, como saldo de salário, férias e 13º. "Queríamos ter lançado o PDV antes, mas precisávamos dessa reserva para pagar o PDV", afirmou Vilalta. "Agora temos essa reserva financeira."
O diretor explicou que o funcionário tem duas opções para aderir ao PDV. Na primeira, receberia 65% do "valor base para fins rescisórios do extrato de conta do Fundo de Garantia (FGTS)". Numa demissão sem justa causa, o empregado tem direito à multa de 40% sobre esse valor base. Na segunda hipótese, o demissionário optaria por receber oito vezes seu salário atual. "O empregado escolhe a forma mais vantajosa", disse Vilalta, acrescentando que o prazo para adesão ao PDV vai até 30 de setembro.
Segundo Vilalta, para alcançar a economia necessária ao equilíbrio econômico-financeiro, a Cohab também está reduzindo serviços terceirizados e reforçando ações de cobrança – a inadimplência dos mutuários chega a 40%, estimou o diretor. "Vamos ajuizar ações para rescisões contratuais, reintegração de posse e cobrança. Os devedores poderão perder seus imóveis", declarou.
Questionado sobre eventual baixa adesão ao PDV, Vilalta não quis antecipar um "plano b". "A diretoria quer acreditar que o PDV vai ter boa adesão. Somente depois do prazo final é que a diretoria vai se reunir com os conselhos fiscal e de administração para avaliar um plano b." Por ser sociedade de economia mista, os empregados da Cohab não têm estabilidade. Eles podem ser demitidos sem justa causa desde que motivadamente. A Cohab tem 73 funcionários efetivos (incluindo os aposentados) e nove diretores e cargos comissionados.
A estratégia da Cohab para superar o desequilíbrio financeiro é semelhante à da Sercomtel, que lançou dois PDVs em 2012 e 2013 e, ainda com problemas de caixa, demitiu sem justa causa 23 empregados.

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