Déficit será maior este ano, diz Malan
Agência Estado
Em entrevista à Rádio Nacional, de Brasília, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, informou ontem, dois dias antes da votação, no plenário da Câmara, da mais difícil de todas as reformas constitucionais, a da Previdência Social, que o déficit previdenciário deste ano será maior do que o de 1997, mesmo que a emenda seja aprovada no Congresso. Malan afirmou que a aprovação não resolverá o problema do déficit no sistema. Malan insistiu com números: Em 1950, tinha-se oito servidores ativos para um aposentado, no setor público, e agora, temos menos de dois na ativa para cada aposentado.
No Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo o ministro, o problema é de injustiça e iniquidade, pois 95% dos aposentados conseguem o benefício próximo aos 60 anos de idade, com 30 de contribuição, e com um teto médio de dois salários mínimos. Mas os outros 5%, que custam mais que os 95%, têm algumas iniquidades e privilégios.
Segundo o ministro, o déficit da Previdência em 1997 - descontado da arrecadação em contribuições o total pago em benefícios aos segurados - ficou em R$ 7,9 bilhões. Malan acrescentou que, depois, graças às transferências feitas à Previdência pelo Tesouro, no valor de R$ 4,2 bilhões, ainda restou um déficit de R$ 3,7 bilhões no ano passado.
Este ano, (o déficit) será seguramente maior, mesmo que a reforma seja aprovada, e maior ainda no ano que vem, caso a reforma não seja aprovada, previu o ministro. Aqui reside um grande desafio para o País, não imediato, mas a médio e longo prazo, acrescentou. Para o ministro, O Brasil está atrasado na questão da Previdência, pois, na América Latina todos os países, com exceção do Paraguai e do Equador, já resolveram ou estão em vias de resolver, de uma forma ou de outra, a questão da previdência.
O ministro da Fazenda previu que uma reforma mais ampla do sistema ainda está para acontecer. Em algum dia, em algum momento, ela virá, afirmou. O que nós temos dito é que é melhor que ela venha, enquanto nós pudermos garantir todos os direitos adquiridos, do que daqui a alguns anos, quando não houver mais esta garantia.





