Déficit ainda preocupa, diz FHC
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Agência Estado 
BRASÍLIA - O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem que o déficit do setor público é um problema que ainda atazana o governo. No balanço de mais de uma hora feito no Palácio do Planalto, durante a reunião com ministros e líderes do governo no Congresso Nacional, o presidente pediu a aprovação das reformas administrativa e da Previdência.
Fernando Henrique disse que a redução do déficit público se faz com a queda dos juros - que o governo vem baixando - e com as reformas do Estado e da Previdência. Esse é o problema que nos atazana. Foi o único momento do discurso em que o presidente reconheceu um dado negativo de seu governo.
Fernando Henrique chamou de maldosos, mentirosos ou ignorantes os que não querem aceitar os números sobre a redistribuição de renda com a implantação do Plano Real. Quem continua dizendo que o Plano Real foi feito para ajudar banqueiro, que o Plano Real foi feito para os ricos, simplesmente mente, afirmou. Mente ou é ignorante.
Para justificar o alto índice de desemprego na Grande São Paulo, Fernando Henrique usou dois argumentos: a inclusão na estatítica de crianças acima de 10 anos e a transformação econômica e geográfica nos investimentos. Está havendo um deslocamento de empresas do Sul e Sudeste para o Nordeste e o Norte.
O presidente afirmou também que os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são os únicos que permitem a comparação em nível internacional. Segundo Fernando Henrique, a taxa de desemprego de 5% deste ano é a mais baixa que a de 1993, embora isso não signifique que não há desemprego.
Por meio de transparências e de forma didática, o presidente mostrou dados de redução do número de pobres, de aumento de consumo de alimentos e de eletrodomésticos: Surpreende o aumento de consumo do iogurte, disse. Mostra uma mudança no padrão de consumo.


